O nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve no centro de investigações sobre movimentações financeiras suspeitas relacionadas ao período em que ele era deputado estadual no Rio de Janeiro. O caso ficou conhecido principalmente pelas suspeitas envolvendo o antigo gabinete parlamentar e o ex-assessor Fabrício Queiroz.
É importante separar três coisas: o que foi investigado, quais acusações foram levantadas e quais decisões judiciais ocorreram. Uma investigação ou suspeita não equivale, por si só, a uma condenação criminal.
1. A nova investigação de 2026: dinheiro no exterior e viagens à Europa
Notícia publicada em 18 de outubro de 2026, com novos desdobramentos divulgados em 20 de outubro.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de abertura de investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, com quem o senador afirma manter uma relação de amizade. O caso teria origem em movimentações relacionadas ao setor de apostas.
Os principais pontos divulgados são:
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Conta no exterior: segundo a apuração, Flávio teria acesso operacional relevante, como usuário master, a uma conta bancária da offshore Alcazar Holding, empresa da qual Willer Tomaz é sócio.
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Viagens à Europa: uma empresa ligada ao advogado teria intermediado o pagamento de passagens para viagens pessoais de Flávio e pessoas de seu círculo familiar, em 2025.
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Origem dos recursos: a PF investiga as movimentações para verificar se existem irregularidades financeiras e possíveis crimes.
Uma offshore é uma empresa constituída no exterior. Sua existência não é, por si só, ilegal. A questão investigada é se houve recursos de origem ilícita, ocultação de patrimônio ou movimentações destinadas a disfarçar a origem ou o destino do dinheiro.
Atenção: os fatos divulgados são suspeitas sob investigação, e não uma comprovação de que Flávio tenha cometido lavagem de dinheiro.
2. O caso do filme Dark Horse e o Banco Master
Há também outra investigação, distinta da anterior, relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Segundo reportagens de outubro de 2026, a Polícia Federal apura as negociações de financiamento envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, e possíveis irregularidades nos repasses financeiros para a produção. A investigação considera hipóteses como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A PF pediu mais 90 dias para continuar as diligências.
O senador afirmou publicamente que buscava patrocínio privado para o filme. A investigação precisa esclarecer a origem dos valores, como foram transferidos e qual foi a participação de cada envolvido. A existência de uma investigação não significa que todos os crimes sob apuração tenham ocorrido.
3. O antigo escândalo da “rachadinha”
Antes dessas notícias, Flávio já havia sido investigado por suspeitas relacionadas ao período em que era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
O caso envolvia o ex-assessor Fabrício Queiroz e suspeitas de que funcionários do gabinete devolviam parte de seus salários. O Ministério Público também investigou transações imobiliárias e operações comerciais que poderiam, segundo a acusação, ter sido usadas para ocultar recursos.
Entretanto, essa investigação enfrentou decisões judiciais que invalidaram provas importantes. Em 2021, o STF anulou quatro dos cinco relatórios financeiros que haviam embasado a denúncia. Posteriormente, a denúncia criminal foi rejeitada após a invalidação de provas. Em março de 2026, a Folha informou que uma nova tentativa de retomar parte das apurações também havia sido barrada pela Justiça.
Isso significa que o caso antigo não deve ser apresentado como uma condenação por lavagem de dinheiro.
4. O que significa lavagem de dinheiro?
Lavagem de dinheiro é a prática de ocultar ou dissimular a origem ilícita de recursos para que pareçam legítimos. Isso pode envolver empresas, contas bancárias, transferências internacionais, compra de imóveis ou outros bens.
Para comprovar o crime, não basta apontar que alguém tem uma conta no exterior, recebeu um pagamento ou é amigo de uma pessoa investigada. É necessário apurar a origem dos recursos, as operações realizadas e a participação de cada pessoa.
O que se sabe até agora?
A notícia mais recente é que a PF está apurando suspeitas envolvendo Flávio Bolsonaro, o advogado Willer Tomaz e movimentações financeiras relacionadas a uma empresa no exterior e ao pagamento de viagens. Paralelamente, existe a investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse. São apurações diferentes e não devem ser tratadas como um único caso.
O ponto central agora é saber se os investigadores conseguirão demonstrar a origem dos recursos, a finalidade das transações e eventual participação criminosa. Até que haja conclusões judiciais, é essencial distinguir suspeitas, indícios e fatos comprovados.