O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentou uma proposta para ajudar brasileiros endividados: o governo compraria dívidas diretamente dos bancos, negociando os débitos por valores menores, e depois ofereceria condições de pagamento mais acessíveis aos cidadãos. A proposta foi apresentada no debate presidencial da Band, em 18 de outubro de 2026.
Como funcionaria a proposta?
Segundo o candidato, o plano teria quatro etapas:
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1. Compra das dívidas: o governo negociaria com os bancos a aquisição dos débitos por valores inferiores aos originais.
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2. Pausa nos pagamentos: pessoas físicas teriam seis meses de carência, enquanto empresas teriam até 12 meses.
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3. Renegociação: depois desse período, os devedores poderiam pagar em condições mais favoráveis, com juros menores e parcelas reduzidas.
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4. Novo acesso ao crédito: a iniciativa também pretende facilitar o acesso a financiamentos para quem deseja abrir ou expandir um negócio.
Na explicação de Flávio, uma prestação que hoje custa R$ 100 a R$ 200 poderia cair para R$ 10 a R$ 20. Essa redução é uma promessa do candidato, não um benefício já garantido ou regulamentado.
De onde viria o dinheiro?
Esse é um dos principais pontos de discussão.
O programa exigiria recursos públicos para comprar os créditos dos bancos. No entanto, até o debate de 18 de outubro, Flávio não havia detalhado completamente o custo total, as fontes de financiamento e os critérios para definir quem teria direito ao benefício.
O economista Maílson da Nóbrega criticou a proposta, questionando sua viabilidade fiscal. Uma avaliação completa depende de conhecer o orçamento, as regras de elegibilidade, os descontos negociados e o volume de dívidas que seriam contempladas.
A proposta é parecida com o Desenrola de Lula?
Sim, há uma semelhança importante: ambos propõem a participação do governo na compra ou renegociação de dívidas para aliviar o endividamento das famílias. Mas existem diferenças.
Proposta de Flávio Bolsonaro
Compra de dívidas bancárias, carência de seis meses para pessoas físicas e de um ano para empresas, seguida de renegociação em condições mais favoráveis.
Desenrola Brasil 3.0, do governo Lula
O programa lançado em setembro de 2026 prevê a compra de carteiras de dívidas antigas, com valor original inferior a R$ 10 mil e atraso, em regra, entre 720 e 1.645 dias. A União poderá destinar até R$ 15 bilhões à aquisição dessas carteiras, buscando descontos de pelo menos 90%.
Portanto, a ideia de o governo comprar dívidas não é exclusiva de Flávio. A diferença está nos critérios, nos prazos, no alcance e no modo de financiar a operação.
O que isso significaria para quem está endividado?
Se implementado nos termos prometidos, o plano poderia dar um alívio temporário a pessoas que enfrentam parcelas elevadas, juros altos e dificuldades para manter as contas em dia.
Por outro lado, uma pausa nas cobranças não significa necessariamente perdão da dívida. Os beneficiários ainda precisariam conhecer o saldo renegociado, os juros, o prazo de pagamento e as condições do contrato.