Uma investigação da Agência Pública, repercutida em outubro de 2026, trouxe novas acusações sobre a influência política do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na administração de seis hospitais federais do Rio de Janeiro durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022.
Segundo a reportagem, gestores, ex-gestores e servidores ouvidos pela agência relataram que Flávio teria exercido influência sobre indicações para cargos de direção e decisões administrativas, embora não ocupasse um cargo no Executivo federal.
As denúncias envolvem suspeitas de irregularidades em contratos, indicações políticas e problemas na estrutura dos hospitais públicos durante a crise sanitária da Covid-19.
O que a investigação apontou?
1. Influência sobre seis hospitais federais
A apuração trata dos hospitais do Andaraí, Bonsucesso, Cardoso Fontes, Ipanema, Lagoa e dos Servidores do Estado. Relatos apontam influência política sobre nomeações e decisões administrativas.
2. Centenas de leitos sem funcionamento
Uma fiscalização parlamentar realizada em abril de 2023 identificou 735 leitos bloqueados ou inoperantes, além de alas fechadas, equipamentos abandonados e obras paralisadas.
3. Suspeitas em contratos milionários
Auditorias identificaram sobrepreços estimados em R$ 69 milhões em uma licitação de materiais cirúrgicos e R$ 18,1 milhões em outra de medicamentos contra o câncer. Os problemas foram identificados antes da assinatura dos contratos, portanto os valores não significam necessariamente dinheiro desviado.
Qual é a situação de Flávio Bolsonaro?
O deputado Otoni de Paula acusou o senador de liderar um grupo político que influenciava indicações e decisões sobre contratos nos hospitais. A reportagem também reuniu relatos de pessoas ligadas à gestão dessas unidades.
Flávio foi procurado pela reportagem repercutida pelo Notícias SC, mas não respondeu aos pedidos de entrevista.
É importante distinguir as denúncias de uma condenação: as informações publicadas apontam suspeitas e acusações, mas não comprovam, por si só, que Flávio Bolsonaro tenha cometido corrupção.
Por que o caso é importante?
A controvérsia envolve o uso de influência política na administração do SUS durante uma crise sanitária que provocou centenas de milhares de mortes no Brasil. O caso levanta questões sobre transparência nas contratações públicas, critérios para nomeações e responsabilidade na gestão dos hospitais.