Como os dados foram levantados?
O Metrópoles cruzou os resultados eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o Mapa de Grupos Armados, elaborado pelo Instituto Fogo Cruzado em parceria com o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI-UFF). O mapeamento territorial utilizado tem como referência os dados mais recentes disponíveis, de 2024.
A maior parte dos locais analisados fica na Zona Oeste do Rio, região onde há territórios sob controle ou influência de grupos milicianos.
Isso significa que as milícias determinaram os votos?
Não necessariamente. O levantamento mostra uma coincidência geográfica entre o resultado eleitoral e áreas identificadas como controladas ou influenciadas por milícias. Ele não demonstra, por si só, que os grupos armados tenham obrigado eleitores a votar em determinado candidato.
Para estabelecer eventual coerção eleitoral, seria necessário reunir outras evidências, como denúncias documentadas, investigações e depoimentos.
O que o caso revela sobre a política no Rio?
O resultado chama atenção por ocorrer em territórios marcados pela atuação de grupos armados. Também reacende discussões sobre as relações políticas de integrantes da família Bolsonaro com pessoas apontadas como ligadas a milícias.
A reportagem recorda que Flávio Bolsonaro empregou em seu gabinete a mãe e a esposa de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope apontado pelas autoridades como miliciano. Também relata uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil negociada a pedido de Robson Calixto, conhecido como Peixe, condenado por envolvimento no caso Marielle Franco. A Polícia Federal identificou indícios de desvio dos recursos, segundo a publicação.
Esses fatos devem ser analisados individualmente: o desempenho eleitoral em áreas de milícia não comprova, isoladamente, participação em crimes eleitorais nem explica a motivação de cada eleitor.