Ouvir rádio

Pausar rádio

Offline
ONU DIZ QUE EPIDEMIA DE EBOLA AINDA É GRAVE E CONTINUA CRESCENDO
Por Susi Hellen Spindola
Publicado em 15/09/2026 08:30
Saúde

A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) continua sendo uma das maiores emergências sanitárias do mundo. Embora autoridades já tenham identificado sinais de redução dos casos em algumas regiões, a ONU e a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertam que ainda é cedo para considerar o surto controlado.

O surto começou em 2026 e envolve principalmente a região leste do país. A situação se tornou especialmente preocupante porque o vírus conseguiu avançar para sete províncias, incluindo Sud-Ubangi, no noroeste, aumentando o risco de disseminação para outras áreas.

Mais de 7 mil casos confirmados

De acordo com os dados mais recentes divulgados pelas autoridades, o país já registrava 7.258 casos confirmados e 3.510 mortes. O número coloca o atual surto entre os mais graves da história do Ebola.

Em agosto, a ONU chegou a alertar que a doença estava se espalhando de maneira exponencial, com o número de mortes ultrapassando 2.500 naquele momento.

⚠️ Mas há uma notícia positiva

Apesar da gravidade, a situação não é exclusivamente negativa.

Segundo autoridades congolesas, o número diário de novos casos caiu de aproximadamente 120 no auge da epidemia para cerca de 80. Além disso, dez das 62 zonas de saúde afetadas não registravam novos casos havia mais de três semanas.

Isso indica que medidas de controle, vacinação e rastreamento de contatos estão produzindo resultados.

O problema é que a redução não acontece de maneira uniforme.

Em algumas áreas, principalmente na província de Kivu do Norte, os casos continuam aumentando rapidamente. A cidade de Butembo é uma das regiões que mais preocupam as autoridades.

O que torna esse surto diferente?

O atual surto envolve o vírus Ebola da espécie Bundibugyo, uma variante para a qual existem desafios específicos de tratamento e prevenção. A OMS confirma que o surto envolve essa espécie e que também houve casos em Uganda.

Além disso, algumas regiões afetadas enfrentam conflitos armados, deslocamento de populações, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e grande circulação de pessoas.

Esses fatores tornam muito mais difícil localizar rapidamente pessoas que tiveram contato com infectados.

E as vacinas?

A vacinação faz parte da resposta à epidemia. A vacina Ervebo está sendo utilizada para proteger pessoas consideradas em maior risco, especialmente profissionais de saúde e contatos de casos.

Também estão sendo realizados estudos para avaliar estratégias específicas contra a variante envolvida no surto.

Existe risco de o Ebola chegar ao Brasil?

Neste momento, não há indicação de transmissão comunitária do Ebola no Brasil.

O principal problema permanece concentrado na África Central. O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), por exemplo, considera atualmente muito baixo o risco de infecção para pessoas que vivem na União Europeia, embora mantenha vigilância sobre a situação.

Isso não significa que autoridades internacionais estejam ignorando a possibilidade de disseminação. Pelo contrário: quanto maior a circulação internacional de pessoas a partir das áreas afetadas, maior a necessidade de vigilância, diagnóstico rápido e controle de fronteiras e serviços de saúde.

Como o Ebola é transmitido?

O vírus não costuma se espalhar pelo simples fato de uma pessoa estar próxima de outra. A transmissão ocorre principalmente por contato direto com sangue ou outros fluidos corporais de uma pessoa infectada ou de alguém que morreu pela doença.

Por isso, hospitais e equipes de saúde precisam adotar medidas rigorosas de proteção.

Os sintomas podem incluir febre, fraqueza intensa, dores musculares, vômitos, diarreia e, em alguns casos, sangramentos.

Por que a ONU ainda está preocupada?

Porque uma epidemia pode parecer estar diminuindo em seu epicentro enquanto continua crescendo em outras regiões.

É exatamente o que as autoridades estão observando no Congo: algumas áreas apresentam melhora, enquanto outras registram aumento de casos.

Por isso, o coordenador especial da ONU para Ebola, Julien Harneis, ressaltou que o surto continua sendo enorme e que serão necessários meses de trabalho para controlá-lo completamente.

 

O cenário atual, portanto, é de cautela: existem sinais de que as medidas de controle estão funcionando em determinadas regiões, mas ainda não é possível declarar o fim ou mesmo o controle definitivo da epidemia. A expansão para novas províncias e o aumento de casos em algumas áreas continuam sendo os principais motivos de preocupação. 

Comentários