Uma novidade interessante na cirurgia plástica brasileira está chamando atenção: robôs começaram a ser utilizados como assistentes em procedimentos de lifting facial profundo, uma área em que milímetros podem fazer diferença.
O que aconteceu?
No fim de agosto de 2026, no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, o cirurgião plástico Paolo Rubez realizou um deep plane facelift com auxílio de uma plataforma robótica. O procedimento é considerado uma das primeiras experiências desse tipo na cirurgia plástica brasileira.
O detalhe importante é que o robô não substitui o cirurgião. Ele funciona como uma ferramenta controlada pelo médico, permitindo movimentos muito precisos durante etapas delicadas da operação.
⚕️ Por que usar um robô no rosto?
O rosto possui uma anatomia extremamente complexa, com nervos, vasos sanguíneos, músculos e tecidos muito próximos uns dos outros.
Sistemas robóticos podem oferecer recursos como:
- visão ampliada e em 3D;
- ✋ filtragem de pequenos tremores das mãos;
- movimentos mais precisos;
- instrumentos capazes de realizar movimentos muito delicados;
- maior controle em áreas de difícil acesso.
Isso é especialmente interessante no deep plane facelift, porque a cirurgia trabalha em camadas mais profundas da face, e não apenas na pele.
E o que é o "deep plane facelift"?
É uma técnica de lifting facial na qual o cirurgião reposiciona tecidos profundos da face, buscando tratar a flacidez de maneira mais estrutural.
A proposta é conseguir um resultado mais natural, evitando simplesmente "puxar a pele".
Mas existe um desafio: quanto mais profunda a dissecção, maior a necessidade de conhecimento detalhado da anatomia facial, principalmente pela proximidade dos ramos do nervo facial.
Uma publicação recente da Revista Brasileira de Cirurgia Plástica destaca justamente o risco de lesão do nervo facial e o desenvolvimento de tecnologias de navegação para localizar essas estruturas em tempo real.
⚠️ Isso significa que o lifting robótico é mais seguro?
Ainda não dá para afirmar isso.
Esse é um ponto importante. A tecnologia tem potencial para aumentar a precisão, mas não significa automaticamente menos complicações ou melhores resultados estéticos.
A experiência brasileira ainda é inicial e são necessários mais procedimentos, estudos e acompanhamento de pacientes para saber se a assistência robótica realmente produz vantagens superiores às técnicas convencionais.
Uma revisão científica sobre tecnologia e IA na cirurgia plástica também aponta que essas ferramentas são promissoras, mas ainda existem limitações, desafios técnicos e necessidade de evidências clínicas mais robustas.
O futuro pode ser ainda mais tecnológico
O que está acontecendo com o lifting facial faz parte de uma transformação maior na cirurgia.
Hoje já existem sistemas que combinam:
robótica + visão 3D + inteligência artificial + realidade aumentada + navegação cirúrgica.
No futuro, essas tecnologias poderão ajudar o médico a identificar estruturas anatômicas, planejar incisões, controlar movimentos e até fornecer informações em tempo real durante a operação.
Mas uma coisa continua fundamental: o robô é uma ferramenta. Quem toma as decisões cirúrgicas continua sendo o médico.