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O RISCO OCULTO PARA O SEU CORAÇÃO AO DORMIR EM AMBIENTES COM POUCA LUZ
Por JOAO BISPO
Publicado em 10/09/2026 17:42
Saúde

Dormir com o quarto iluminado pode parecer um hábito inofensivo, mas pesquisas vêm mostrando que a exposição à luz durante o sono pode interferir no funcionamento cardiovascular e metabólico do organismo.

Um estudo publicado na revista PNAS avaliou adultos saudáveis e descobriu que dormir uma noite sob luz moderada, de aproximadamente 100 lux, em comparação com um ambiente muito escuro, provocou aumento da frequência cardíaca durante o sono, redução da variabilidade da frequência cardíaca e maior resistência à insulina na manhã seguinte.

❤️ Por que a luz pode afetar o coração?

Durante a noite, o organismo deveria entrar em um estado de repouso. A escuridão ajuda a sincronizar o ritmo circadiano, responsável por organizar processos como sono, produção hormonal, metabolismo e regulação cardiovascular.

Quando há luz durante o sono, especialmente quando é relativamente intensa, o organismo pode interpretar parte desse estímulo como um sinal de que ainda não é hora de descansar completamente.

Isso pode aumentar a atividade do sistema nervoso simpático, associado ao estado de alerta. No estudo, justamente esse aumento da ativação autonômica esteve relacionado às alterações observadas na frequência cardíaca e no metabolismo.

E a resistência à insulina?

Esse é um ponto importante porque metabolismo e coração estão profundamente relacionados.

Na pesquisa, os participantes que dormiram sob luz apresentaram maior resistência à insulina na manhã seguinte. Se alterações metabólicas desse tipo se tornam frequentes ao longo do tempo, podem contribuir para condições que aumentam o risco cardiovascular, como diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.

E há evidências de longo prazo?

Um estudo observacional mais recente, publicado em 2025, analisou dados de exposição à luz noturna de quase 89 mil pessoas. Os indivíduos expostos aos níveis mais elevados de luz durante a noite apresentaram maior incidência de doença arterial coronariana, infarto, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial e AVC.

Mas atenção: esse tipo de estudo mostra uma associação, não prova que a luz noturna seja, sozinha, a causa dessas doenças.

Então precisamos dormir em escuridão total?

Não é necessário entrar em pânico por causa de uma pequena luz ocasional. A preocupação maior é com exposição frequente e prolongada a ambientes iluminados durante o sono.

Algumas medidas simples podem ajudar:

 

  • apagar as luzes antes de dormir;
  • fechar cortinas ou persianas se houver muita iluminação externa;
  • evitar deixar televisão ligada durante toda a noite;
  • reduzir telas e fontes luminosas próximas à cama;
  • se precisar de iluminação noturna, optar por uma luz bem fraca e posicionada longe dos olhos.
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