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DEPOIMENTOS DE QUEM SOBREVIVEU AO DIA 11 DE SETEMBRO
Por JOAO BISPO
Publicado em 11/09/2026 09:14
Notícia

O que aparece em muitos desses depoimentos?

Apesar de serem histórias diferentes, vários sobreviventes descrevem sentimentos semelhantes:

“Eu não sabia o que estava acontecendo.”

“Eu só queria sair.”

“As pessoas estavam ajudando umas às outras.”

“Eu achei que fosse morrer.”

E, depois:

“Por que eu sobrevivi?”

Essa última pergunta aparece de diferentes formas em muitos relatos. Para alguns sobreviventes, sobreviver não significou simplesmente voltar para casa. Vieram depois culpa, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, problemas de saúde e lembranças recorrentes.

O próprio Memorial destaca que centenas de milhares de pessoas foram expostas à poeira, aos destroços e ao trauma físico e psicológico daquele dia e de suas consequências.


1. Stanley Praimnath — Torre Sul

Stanley Praimnath estava trabalhando no 81º andar da Torre Sul quando o segundo avião atingiu o prédio.

Ele conseguiu escapar de uma área que havia sido devastada pelo impacto e ficou preso sob os escombros quando parte do andar desabou.

Do outro lado dos destroços, ele viu uma luz: era Brian Clark, outro sobrevivente, que havia conseguido chegar até ele.

Clark ajudou Praimnath a encontrar uma passagem para escapar. Décadas depois, os dois continuam descrevendo aquele encontro como um dos momentos decisivos de suas vidas. Praimnath chegou a dizer que abraçou e beijou Clark depois de ser resgatado.

O que torna o relato tão forte: duas pessoas que não se conheciam ficaram literalmente dependentes uma da outra para sair vivas da torre.


2. Brian Clark — a voz que encontrou alguém no escuro

Brian Clark estava no 84º andar da Torre Sul.

Depois do impacto, começou a descer pelas escadas. Em determinado momento, encontrou Stanley Praimnath preso pelos destroços.

Clark ouviu seus pedidos de ajuda e usou uma lanterna para localizá-lo.

A partir daí, os dois passaram a descer juntos.

O relato de Clark é particularmente lembrado porque mostra como, em meio ao caos, pessoas desconhecidas passaram a ajudar umas às outras espontaneamente. A história dos dois é uma das experiências de sobrevivência preservadas e recontadas ao longo dos anos.


3. Will Jimeno — 13 horas soterrado

O policial da Autoridade Portuária Will Jimeno estava ajudando na evacuação do World Trade Center quando a Torre Sul desabou.

Ele ficou enterrado sob aproximadamente 9 metros de destroços.

Jimeno permaneceu preso durante cerca de 13 horas. Ao lado dele estava seu supervisor, o sargento John McLoughlin.

Durante o período soterrado, Jimeno sofreu ferimentos graves e chegou a acreditar que não sobreviveria.

Depois de horas, equipes conseguiram localizar os dois e iniciaram uma operação de resgate que durou horas.

Jimeno foi um dos apenas 20 sobreviventes retirados dos escombros do World Trade Center. Anos depois, relatou também as consequências psicológicas do trauma, incluindo PTSD e pensamentos suicidas, e falou sobre como a terapia e a família foram importantes para sua recuperação.


️ 4. Sekou Siby — “eu poderia estar ali”

Uma das histórias mais dolorosas envolve Sekou Siby, cozinheiro do restaurante Windows on the World, no 107º andar da Torre Norte.

Naquele dia, ele não estava trabalhando porque havia trocado o turno com um colega, Moises Rivas.

Rivas estava trabalhando no restaurante quando o avião atingiu a Torre Norte e morreu.

Siby tentou entrar em contato com seus colegas, mas ninguém atendia.

Anos depois, diante do nome de Rivas no memorial, Siby resumiu o sentimento de culpa do sobrevivente dizendo:

“Esta deveria ser a minha inscrição.”

O depoimento mostra uma dimensão pouco discutida do 11 de Setembro: a culpa de ter sobrevivido quando alguém que poderia estar no seu lugar morreu.


️ 5. Richard Eichen — sobrevivente da Torre Norte

Richard Eichen estava na Torre Norte e conseguiu sobreviver ao ataque.

Hoje, sua história é apresentada pelo próprio 9/11 Memorial & Museum em programas educacionais sobre o atentado. Seu depoimento é utilizado para mostrar a experiência de alguém que estava dentro de uma das torres e precisou tomar decisões rápidas para escapar.

O museu mantém uma série de histórias individuais justamente para que o 11 de Setembro não seja lembrado apenas por números, imagens das torres e estatísticas, mas também pela perspectiva de quem estava lá.


‍ 6. Os sobreviventes que voltaram ao local

Existe ainda uma enorme quantidade de relatos de bombeiros, policiais, trabalhadores de emergência e pessoas que estavam nas proximidades.

Muitos descrevem algo semelhante: inicialmente não compreendiam a dimensão do que estava acontecendo.

Alguns pensaram que se tratava de um acidente. Outros começaram a evacuar quando perceberam que o segundo avião havia atingido a Torre Sul.

Depois vieram o barulho, a fumaça, os destroços e, finalmente, o colapso dos edifícios.

O Memorial mantém entrevistas gravadas de sobreviventes e socorristas justamente para preservar essas percepções individuais. O acervo reúne mais de mil entrevistas, além de uma coleção maior de gravações e materiais históricos.

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