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HOUTHIS TOMAM NOVA CIDADE E AMEAÇAM ROTA VITAL PARA O PETRÓLEO
Por JOAO BISPO
Publicado em 11/09/2026 08:54
Notícia

O conflito no Oriente Médio ganhou uma nova frente de tensão nesta sexta-feira (11). Os houthis, grupo rebelde apoiado pelo Irã, avançaram pela costa do Iêmen e assumiram o controle de áreas estratégicas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb, uma das passagens marítimas mais importantes do planeta.

Qual cidade foi tomada?

Os houthis capturaram a cidade portuária de Mocha (Mokha), no litoral do Mar Vermelho. O local tem importância estratégica porque fica próximo da entrada do Bab el-Mandeb.

 

Na sequência, forças houthis também avançaram para a ilha de Perim (Mayun) e para a cidade costeira de Dhubab, que fica diante da ilha. Com isso, o grupo se aproximou ainda mais do controle de uma das principais passagens marítimas entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áde.

Por que o Bab el-Mandeb é tão importante?

O estreito funciona como uma espécie de “porta de entrada” do Mar Vermelho.

Por ele passam navios que seguem entre:

Oceano Índico → Golfo de Áden → Bab el-Mandeb → Mar Vermelho → Canal de Suez → Mediterrâneo

Isso torna o corredor fundamental para o comércio entre Ásia, Oriente Médio e Europa.

A região também é importante para o transporte de petróleo e derivados, especialmente para a Arábia Saudita, que utiliza o Mar Vermelho como alternativa para exportar sua produção quando outras rotas estão ameaçadas.

️ E por que isso ameaça o petróleo?

O problema é que o Bab el-Mandeb está se tornando um segundo ponto crítico para o mercado mundial de energia.

O estreito de Ormuz, entre Irã e Omã, já está sofrendo com as tensões regionais. A Arábia Saudita, portanto, depende ainda mais de rotas alternativas pelo Mar Vermelho.

Se os houthis conseguirem controlar ou ameaçar fortemente o Bab el-Mandeb, poderão dificultar o transporte de petróleo saudita e de outras mercadorias.

A possibilidade de interrupção de duas grandes rotas — Ormuz e Bab el-Mandeb — aumenta o temor de uma crise global de abastecimento.

Petróleo já reage

O mercado já está sentindo a tensão.

O petróleo Brent chegou a ficar acima de US$ 100 por barril, impulsionado pelos riscos de interrupção do fornecimento no Oriente Médio. Nesta sexta-feira, porém, os preços recuaram parcialmente após relatos de possíveis negociações para garantir a navegação segura no Golfo.

Arábia Saudita reage

A situação preocupa especialmente Riad.

O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, teria pedido ao presidente americano Donald Trump que os Estados Unidos realizassem ataques contra os houthis. Washington, entretanto, estaria evitando uma intervenção militar direta neste momento e priorizando a manutenção da liberdade de navegação.

Enquanto isso, forças do governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita anunciaram uma possível contraofensiva para tentar recuperar os territórios perdidos.

E há outro problema: um oleoduto saudita

Imagens de satélite também mostraram fumaça e um possível incêndio próximo a um importante oleoduto saudita.

Ainda não havia confirmação oficial de que o oleoduto tenha sido atacado pelos houthis, portanto essa informação precisa ser tratada com cautela.

O que pode acontecer agora?

O cenário preocupa porque os houthis passaram de ataques pontuais contra navios para uma posição territorial muito mais estratégica.

Se consolidarem sua presença em Mocha + Perim + Dhubab, o grupo ficará em uma posição privilegiada para ameaçar a navegação no Bab el-Mandeb.

Isso pode provocar:

 

  • aumento do preço do petróleo;
  • desvio de navios para rotas mais longas;
  • aumento do custo do transporte marítimo;
  • encarecimento de produtos importados;
  • ⛽ pressão sobre combustíveis;
  • aumento da inflação em vários países;
  • ⚔️ possibilidade de uma nova escalada militar envolvendo EUA, Arábia Saudita e Irã.
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