Nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, os Estados Unidos marcam 25 anos dos atentados de 11 de setembro de 2001, que mataram quase 3 mil pessoas em Nova York, no Pentágono e na Pensilvânia. O país mudou profundamente desde aquele dia — na segurança, na política externa, na imigração, na sociedade e até na forma como os americanos enxergam o próprio país.
️ Um país que ainda carrega o trauma
O 11 de Setembro continua sendo uma das experiências históricas mais marcantes para os americanos. Uma pesquisa recente mostra que aproximadamente metade dos adultos nos EUA considera os atentados o acontecimento mais importante de sua vida, à frente de eventos como a pandemia de Covid-19 e eleições presidenciais recentes.
Mas existe uma diferença geracional cada vez maior.
Quem era adulto ou criança em 2001 geralmente possui uma memória pessoal daquele dia. Já milhões de americanos nascidos depois dos ataques conhecem o 11 de Setembro principalmente por meio de escola, documentários, museus, relatos familiares e cerimônias.
️ A segurança americana mudou completamente
Uma das maiores transformações aconteceu na segurança nacional.
Depois dos atentados, os EUA criaram o Department of Homeland Security (DHS) e ampliaram enormemente a estrutura de combate ao terrorismo.
A segurança nos aeroportos também mudou radicalmente. O controle de passageiros, bagagens e aeronaves ficou muito mais rigoroso, e o combate ao terrorismo passou a integrar praticamente todas as áreas da segurança nacional.
Os atentados também deram origem à chamada “Guerra ao Terror”, que levou os Estados Unidos à invasão do Afeganistão em 2001 e posteriormente à Guerra do Iraque, iniciada em 2003.
⚔️ Os EUA não são mais exatamente o mesmo país de 2001
Uma das maiores consequências foi uma mudança na relação entre segurança e liberdade individual.
Depois do 11 de Setembro, o governo americano ampliou:
- vigilância eletrônica;
- compartilhamento de informações entre agências;
- monitoramento financeiro;
- controle de fronteiras;
- investigações antiterrorismo;
- poderes de inteligência.
Ao longo dos anos, essas medidas geraram um enorme debate sobre privacidade, direitos civis e até onde o Estado pode ir para prevenir um atentado.
O impacto sobre muçulmanos e árabes-americanos
Existe também um lado sombrio desse período.
Após os ataques, aumentaram episódios de preconceito, discriminação e crimes de ódio contra muçulmanos, árabes e pessoas percebidas como pertencentes a esses grupos. Esse efeito social continuou sendo discutido durante décadas.
Hoje, o debate americano é mais complexo: existe uma preocupação simultânea com terrorismo internacional, extremismo doméstico, violência política e radicalização pela internet.
Uma ferida que também virou problema de saúde pública
Um dos impactos menos visíveis do 11 de Setembro apareceu anos depois.
Bombeiros, policiais, trabalhadores de resgate, moradores e outras pessoas expostas à poeira e aos contaminantes do World Trade Center desenvolveram doenças relacionadas à exposição.
Segundo dados divulgados neste 25º aniversário, cerca de 9.700 sobreviventes e socorristas morreram posteriormente de doenças associadas à exposição, número superior ao total de mortos diretamente nos atentados. Mais de 57 mil casos de câncer foram registrados entre pessoas acompanhadas pelos programas relacionados ao desastre.
Ou seja: para muitas famílias, o 11 de Setembro não terminou em 11 de setembro de 2001.
E o sentimento de segurança?
Existe uma situação curiosa.
Os Estados Unidos não sofreram outro atentado terrorista de escala semelhante ao 11 de Setembro em seu território. Isso é considerado um dos resultados do enorme aparato antiterrorismo criado posteriormente.
Por outro lado, especialistas alertam que o país não pode assumir que o risco desapareceu.
A ameaça mudou: além de organizações terroristas internacionais, os EUA precisam lidar com extremismo doméstico, radicalização online, ataques individuais, drones, ciberataques e novas formas de terrorismo.
O mundo também mudou — e os EUA junto
O 11 de Setembro marcou o começo de uma era em que Washington colocou o terrorismo internacional no centro da política externa.
Hoje, entretanto, a prioridade estratégica americana está muito mais dividida.
Os EUA precisam lidar simultaneamente com:
China — competição econômica, tecnológica e militar;
Rússia — guerra e segurança europeia;
Oriente Médio — conflitos e energia;
cibersegurança — ataques digitais e infraestrutura crítica;
drones e novas tecnologias militares;
⚠️ terrorismo e extremismo doméstico.
Por isso, alguns especialistas argumentam que a atenção excessiva a novas ameaças geopolíticas pode fazer Washington reduzir o foco no contraterrorismo.
️ E Nova York?
Nova York se reconstruiu.
Onde ficavam as Torres Gêmeas existe hoje o World Trade Center, com o National September 11 Memorial & Museum e o One World Trade Center.
Mas Lower Manhattan também se transformou economicamente e urbanisticamente.
Ao mesmo tempo, o local continua sendo um espaço de memória para milhares de famílias.
Neste 25º aniversário, familiares das vítimas, autoridades e sobreviventes participam novamente da leitura dos nomes dos mortos e dos tradicionais momentos de silêncio.
⚖️ E o caso dos responsáveis?
Uma das histórias mais controversas ainda não chegou a uma conclusão judicial definitiva.
Khalid Sheikh Mohammed, apontado como um dos principais planejadores dos ataques, está preso em Guantánamo desde 2006.
Seu julgamento sofreu tantos atrasos e disputas jurídicas — inclusive por causa das acusações de tortura durante sua custódia — que existe a possibilidade de ele nunca chegar a ser julgado plenamente. Atualmente, há previsão de julgamento para 2028, mas o processo continua cercado de incertezas.
Afinal, como estão os EUA 25 anos depois?
Os Estados Unidos não vivem mais sob o choque imediato do 11 de Setembro, mas vivem com suas consequências.
O país ficou:
mais vigilante ️
mais militarizado ⚔️
mais preocupado com terrorismo
mais atento à segurança de fronteiras e aeroportos
mais dividido sobre vigilância e direitos civis
mais consciente dos riscos de extremismo interno
e profundamente marcado pelo trauma das vítimas e sobreviventes.
E talvez a maior mudança seja geracional: uma parcela crescente dos americanos nasceu depois do 11 de Setembro. Para essas pessoas, as Torres Gêmeas não são uma lembrança — são história.