O atual surto de Ebola na República Democrática do Congo está ligado a uma combinação de fatores biológicos, sociais e culturais — entre eles o consumo de carne de caça (“bushmeat”) e ritos fúnebres tradicionais.
Como a carne de caça entra nessa história
O vírus Ebola é considerado uma zoonose, ou seja, uma doença transmitida de animais para humanos. Os reservatórios naturais mais prováveis são morcegos frugívoros, mas primatas e outros animais silvestres também podem carregar o vírus.
Em regiões rurais e florestais do Congo, a caça de animais selvagens é comum tanto para alimentação quanto para subsistência econômica. O risco aparece durante:
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caça e abate dos animais;
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manipulação de sangue e órgãos;
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preparo e consumo da carne contaminada.
Esse contato direto com fluidos corporais pode iniciar o chamado “spillover” — quando o vírus salta dos animais para os humanos.
Por que os ritos fúnebres ajudam a espalhar o vírus
Depois que uma pessoa morre de Ebola, o corpo continua altamente infeccioso. Em várias comunidades da África Central, é tradicional:
Como o Ebola se transmite por contato com sangue e fluidos corporais, funerais sem proteção adequada podem virar eventos de supertransmissão. A OMS destaca que “enterros inseguros” são um dos principais aceleradores dos surtos.
Outros fatores que agravam o surto
Além da transmissão inicial, o cenário atual no Congo dificulta o controle da doença:
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conflitos armados e deslocamentos populacionais;
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sistema de saúde precário;
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demora na identificação dos casos;
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circulação intensa entre regiões e fronteiras;
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falta de vacina aprovada para a variante Bundibugyo.
A variante atual é especialmente preocupante porque há menos conhecimento científico e menos ferramentas médicas disponíveis para combatê-la.
Isso significa risco de pandemia global?
Até agora, a Organização Mundial da Saúde afirma que o risco global permanece relativamente baixo. O Ebola é muito letal, mas geralmente menos transmissível que vírus respiratórios como o da Covid-19, porque exige contato direto com fluidos corporais.
Mesmo assim, a OMS declarou emergência internacional porque: