Cronologia da operação que prendeu Deolane Bezerra e mirou Marcola e familiares do PCC
2019 — Bilhetes encontrados em presídio iniciam a investigação
Policiais penais encontraram bilhetes escondidos na caixa de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. As mensagens revelavam:
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movimentações internas do PCC;
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possíveis ataques contra agentes públicos;
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indícios de um esquema financeiro ligado à facção.
Os investigadores identificaram referências a uma “mulher da transportadora”, ligada ao levantamento de dados de servidores públicos e ao apoio logístico da facção.
2020 — Polícia rastreia transportadora suspeita
A investigação passou a focar em uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau. Segundo a polícia:
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a empresa apresentava crescimento incompatível com a atividade formal;
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havia movimentações bancárias consideradas atípicas;
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o negócio funcionaria como braço financeiro do PCC.
2021 — Operação “Lado a Lado”
A Polícia Civil e o Ministério Público deflagraram a operação chamada “Lado a Lado”. Ela aprofundou o mapeamento financeiro da organização criminosa. As apurações apontaram:
Foi nesse período que investigadores começaram a relacionar a estrutura financeira da transportadora ao núcleo familiar de Marcola.
2022–2024 — Quebras de sigilo e rastreamento financeiro
Com autorização judicial, investigadores passaram a analisar:
Segundo a investigação, nesse período:
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Deolane Bezerra teria movimentado cerca de R$ 140 milhões;
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dezenas de empresas teriam sido abertas em endereços ligados a ela;
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depósitos fracionados e contas de passagem passaram a ser monitorados.
2023 — PCC entra no radar nacional após plano contra autoridades
O PCC já vinha sendo investigado em outras frentes, como a Operação Sequaz, que revelou planos da facção contra autoridades como o senador Sergio Moro e o promotor Lincoln Gakiya.
Esse contexto aumentou a pressão sobre o núcleo financeiro da facção.
Maio de 2026 — Operação Vérnix é deflagrada
Em 21 de maio de 2026, o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil lançaram a Operação Vérnix.
A operação cumpriu:
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mandados de prisão preventiva;
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buscas e apreensões;
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bloqueio de mais de R$ 327 milhões;
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sequestro de imóveis e veículos de luxo.
Entre os alvos estavam:
O que a polícia afirma
Segundo os investigadores:
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a transportadora era usada para lavar dinheiro da facção;
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empresas e influenciadores ajudariam a dar aparência legal aos recursos;
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familiares de Marcola manteriam controle do esquema mesmo com lideranças presas.
A investigação ainda está em andamento, e os acusados negam participação em crimes. Até o momento, não há condenação definitiva.