Naquela noite, ninguém sabia exatamente o que pedir.
A mesa estava posta, as taças cheias, as roupas escolhidas com cuidado — mas os desejos… esses estavam cansados. Depois de um ano pesado, parecia difícil querer algo grande demais.
Ana levou doze uvas na bolsa, por tradição, mas decidiu não comê-las à meia-noite. Preferiu observar. O pai ajeitava o relógio no pulso como se pudesse controlar o tempo. A mãe sorria mais baixo que o normal. O irmão mandava mensagens para alguém que já não estava ali.
Quando os fogos começaram, Ana fechou os olhos. Não fez promessa, não mentalizou metas, não pediu milagres. Apenas agradeceu por estar inteira. Não perfeita — inteira.
Ao abrir os olhos, percebeu algo simples e precioso: ninguém precisava mudar tudo naquela noite. Bastava não desistir de si.
O Ano Novo chegou em silêncio, sentou-se entre eles e ficou.
Às vezes, isso já é suficiente. ✨