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CONTO DE ANO NOVO
Por Susi Hellen Spindola
Publicado em 26/12/2025 13:05
Dezembro

Na última noite do ano, a cidade parecia suspirar.

 

As luzes piscavam nas janelas, panelas tilintavam nas cozinhas e, em algum lugar distante, alguém ensaiava fogos antes da hora. Mas dentro de um pequeno apartamento no último andar, o tempo andava mais devagar.

 

Miguel estava sozinho, sentado no chão da sala, com um copo de sidra barata e uma lista amassada nas mãos. Não era de compras — era de promessas antigas. Coisas que ele escrevera em outros réveillons: ligar mais para meus pais, não desistir tão fácil, aprender a dizer não, começar de novo.

 

À meia-noite se aproximando, ele abriu a janela. O vento trouxe risadas, música, cheiro de comida e aquele sentimento estranho de fim e começo misturados. O relógio marcou 23:59.

 

Miguel respirou fundo.

 

Quando os fogos explodiram no céu, ele rasgou a lista em pedaços bem pequenos. Não por raiva — mas por perdão. Entendeu, naquele instante, que sobreviver aos próprios anos já era uma vitória silenciosa.

 

No lugar da lista, escreveu uma única frase em um papel novo:

 

“Neste ano, eu continuo.”

 

Guardou no bolso, levantou o copo e sorriu, não para o futuro inteiro, mas para o próximo passo.

 

Lá fora, o céu brilhava.

Lá dentro, algo também recomeçava. ✨

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