A forte reação do mercado financeiro após o resultado das eleições presidenciais mudou as expectativas sobre os próximos passos do Banco Central (BC). O que antes era uma expectativa de redução dos juros passou a incluir a possibilidade de manutenção da taxa Selic e, em um cenário mais adverso, até mesmo uma nova alta.
O que aconteceu?
Na segunda-feira, 26 de outubro, investidores reagiram negativamente à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Parte do mercado apostava em uma vitória de Flávio Bolsonaro, associada por analistas à expectativa de mudanças na política econômica e de maior controle dos gastos públicos.
Com o resultado diferente do esperado por esses investidores, houve uma forte correção nos preços dos ativos brasileiros.
Os principais movimentos registrados foram:
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Bolsa de valores: o Ibovespa chegou a cair mais de 15% em determinados momentos, levando a B3 a interromper temporariamente as negociações pelo mecanismo conhecido como circuit breaker.
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Dólar: a moeda americana ultrapassou R$ 5,50 e chegou a superar R$ 5,60 durante o pregão.
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Juros futuros: as taxas negociadas no mercado dispararam, indicando que investidores passaram a exigir uma remuneração maior para assumir riscos no Brasil.
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Títulos públicos: o Tesouro Nacional cancelou leilões de determinados títulos e realizou uma operação extraordinária de recompra de papéis prefixados.
Por que o mercado está preocupado?
A principal preocupação envolve a trajetória das contas públicas brasileiras.
Parte dos investidores teme que o próximo governo mantenha ou amplie despesas sem apresentar medidas suficientes para estabilizar a dívida pública. Esse receio aumenta a percepção de risco e pode encarecer o financiamento do governo e das empresas.
Outro fator é o dólar mais caro. Quando a moeda americana sobe, produtos importados, combustíveis e insumos cotados internacionalmente podem ficar mais caros, pressionando a inflação.
Analistas também apontam que a incerteza sobre a equipe econômica e as futuras decisões fiscais pode prolongar a instabilidade.
O Banco Central pode aumentar a Selic?
Sim, essa possibilidade entrou no radar do mercado, mas é importante destacar que uma alta da Selic não era o cenário central de todos os economistas consultados.
Segundo reportagem da Reuters publicada em 26 de outubro, no fim da manhã os contratos de juros indicavam aproximadamente 75% de probabilidade de uma alta de 0,25 ponto percentual na reunião seguinte do Copom, contra 25% de chance de manutenção. Antes do segundo turno, o mercado praticamente esperava um corte de 0,25 ponto. Essas probabilidades refletem os preços negociados naquele momento, e não uma decisão oficial do Banco Central.
A taxa Selic estava em 13,75% ao ano no cenário descrito pelas reportagens. A decisão efetiva cabe ao Comitê de Política Monetária (Copom), que considera as perspectivas de inflação, as expectativas do mercado e o conjunto das condições econômicas.
Como uma alta dos juros afeta a população?
Empréstimos e financiamentos
O crédito pode ficar mais caro, dificultando o financiamento de imóveis, veículos e compras parceladas.
Empresas e empregos
Com o crédito mais caro, empresas podem adiar investimentos, reduzir contratações ou desacelerar a expansão.
Consumo e custo de vida
A combinação de juros elevados e possível alta do dólar pode dificultar o consumo e pressionar alguns preços.
Investimentos de renda fixa
Aplicações atreladas à Selic podem oferecer rendimentos maiores, embora o resultado dependa dos impostos, das taxas e do produto escolhido.
O que pode acontecer daqui para frente?
O cenário dependerá de alguns fatores:
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Sinais de controle dos gastos públicos: medidas que indiquem uma trajetória sustentável para as contas do governo podem ajudar a reduzir a desconfiança.
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Comportamento do dólar e da inflação: uma estabilização cambial pode diminuir a pressão sobre os preços.
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Decisão do Copom: o Banco Central avaliará se há espaço para reduzir os juros, se deve mantê-los ou se precisará elevá-los.
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Composição da equipe econômica: as escolhas do governo e as medidas anunciadas serão observadas pelos investidores.
Os bancos e gestores consultados pela imprensa divergem sobre a intensidade e a duração da turbulência. O cenário ainda pode mudar conforme as decisões econômicas e a reação dos mercados.