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A ALTA DOS ALIMENTOS TEM A VER APENAS COM A POLÍTICA?
Por JOAO BISPO
Publicado em 26/10/2026 08:30
Economia

A alta dos preços dos alimentos não depende apenas da política. Ela é resultado de vários fatores econômicos, climáticos e internacionais. Porém, a política tem influência importante, porque as decisões do governo podem aumentar ou reduzir parte desses custos.

Para entender por que o arroz, o feijão, a carne, o leite, os ovos e outros produtos ficam mais caros, é preciso separar as principais causas.

5 fatores que fazem os alimentos ficarem mais caros

A agricultura do futuro e o uso sustentável da água
 
 
 

1. Clima e perdas na produção

Secas, chuvas excessivas, geadas e ondas de calor podem prejudicar as plantações e reduzir a quantidade de alimentos disponível. Em setembro de 2026, o IBGE relacionou aumentos de itens como tomate, batata e cebola a condições climáticas que afetaram a oferta.

 

 

 
Colheita da soja avança no Tocantins e confirma safra satisfatória, apesar dos desafios logísticos - Notícias | Canal 63 - 5 Anos
 
 
 

2. Custos de produção

Fertilizantes, sementes, ração animal, energia, máquinas, mão de obra e combustíveis pesam no custo de produzir. Quando esses custos sobem, podem acabar refletidos no preço final.

 
Ramiro Hortifrutigranjeiro
 
 
 

3. Combustíveis e transporte

O Brasil depende bastante do transporte rodoviário para distribuir alimentos. Diesel mais caro, pedágios, fretes e armazenamento podem elevar o custo de levar os produtos do campo aos supermercados.

 
Cotação e Preço da Soja via Grão Direto
 
 
 

4. Dólar e mercado internacional

Quando o real perde valor, insumos importados podem ficar mais caros. Além disso, produtos agrícolas negociados internacionalmente podem ter seus preços influenciados pela demanda externa e pelas exportações.

 
Arroz e óleo de soja à venda em supermercado |  Pulsar Imagens | Banco imagens do Brasil
 
 
 

5. Decisões políticas e econômicas

Impostos, tarifas de importação, políticas agrícolas, investimentos em infraestrutura, estoques públicos e medidas econômicas podem influenciar os preços. A eficácia de cada medida depende do produto e das condições do mercado.

Então, qual é a responsabilidade do governo?

O governo não controla sozinho todos os preços, mas também não está isento de responsabilidade.

Ele pode influenciar o custo dos alimentos por meio de decisões sobre:

  • Impostos e tarifas: podem encarecer ou baratear determinados produtos e insumos.

  • Produção agrícola: crédito rural, seguro agrícola, pesquisa e apoio aos pequenos produtores podem ajudar a ampliar a oferta.

  • Infraestrutura: estradas, ferrovias, armazenagem e logística afetam os custos de distribuição.

  • Política econômica: decisões que afetam o câmbio e a inflação influenciam os custos e o poder de compra.

  • Fiscalização da concorrência: ajuda a combater cartéis e práticas anticoncorrenciais, quando comprovados.

O Ministério da Fazenda já reconheceu, em análise sobre a inflação de alimentos de 2024 e do início de 2025, a influência combinada do clima, da oferta, do câmbio e dos custos, além do papel que medidas governamentais podem desempenhar.

 

 

Como saber se a alta é culpa da política ou de outros fatores?

É preciso analisar qual alimento subiu, em que período e por quê. Se o tomate dispara após chuvas que prejudicam a colheita, há uma explicação ligada à oferta. Se vários produtos ficam mais caros junto com a desvalorização do real ou o aumento dos combustíveis, esses fatores também precisam ser considerados.

E há uma diferença importante: inflação menor não significa necessariamente que os alimentos ficaram baratos. Significa que os preços estão aumentando mais devagar — ou, em alguns casos, caindo.

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