A Organização Mundial do Comércio (OMC) fez um alerta nesta terça-feira (15) sobre o momento delicado enfrentado pelo sistema comercial internacional. Segundo a entidade, o comércio mundial passa por “maiores distúrbios” de sua história, diante do aumento das barreiras comerciais, do protecionismo e das disputas entre grandes potências.
O que está acontecendo?
O cenário é marcado principalmente por:
- aumento de tarifas de importação;
- subsídios estatais para proteger indústrias nacionais;
- disputas comerciais entre grandes economias;
- restrições justificadas por “segurança nacional”;
- mudanças nas cadeias globais de produção;
- maior fragmentação do comércio em blocos econômicos.
Um levantamento citado pela OMC mostra que as barreiras comerciais adotadas por razões de segurança nacional quase triplicaram entre 2015 e 2025, passando de cerca de 100 para quase 300 medidas.
A disputa entre grandes potências pesa
A rivalidade econômica entre Estados Unidos e China é um dos elementos importantes desse processo. Semicondutores, minerais críticos, tecnologias avançadas e outros setores considerados estratégicos estão cada vez mais sujeitos a controles e restrições.
Isso representa uma mudança em relação à lógica de décadas anteriores, quando a expansão do comércio internacional buscava aumentar a integração entre economias.
E qual seria o impacto?
O relatório World Trade Report 2026 estima que, se houver uma fragmentação ainda maior e as regras multilaterais não forem reformadas, o PIB mundial poderia ficar até 5,1% menor e as exportações até 18,6% menores até 2050. Em um cenário extremo de substituição da OMC por acordos bilaterais, a perda poderia chegar a 6,9% do PIB global.
Para países em desenvolvimento, o impacto pode ser particularmente pesado, porque eles dependem fortemente do acesso aos mercados internacionais, das exportações e das cadeias globais de produção.
E o Brasil?
Para o Brasil, mudanças no comércio mundial podem afetar exportações, preços de commodities, indústria, agronegócio e investimentos estrangeiros. Ao mesmo tempo, uma reorganização das cadeias produtivas também pode abrir oportunidades para o país aumentar sua participação em determinados mercados.
A situação é, portanto, contraditória: o comércio internacional continua funcionando e apresenta áreas de crescimento, mas as regras que sustentam esse comércio estão sob pressão. A própria OMC registrou recentemente que o comércio de mercadorias seguia acima da tendência, impulsionado especialmente por componentes eletrônicos relacionados à inteligência artificial.
⚠️ Por que esse alerta importa?
A preocupação da OMC não é simplesmente que o comércio esteja “parando”. O problema é a possibilidade de o mundo caminhar para um sistema cada vez mais dividido em blocos, no qual países priorizem acordos individuais, tarifas e proteção de setores estratégicos.
Para a OMC, a saída passa por reformar as regras multilaterais, atualizar normas sobre subsídios e recuperar mecanismos de solução de disputas entre países.