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POR QUE PARTE DA DIREITA NÃO GOSTA DO BOLSONARISMO?
Por Susi Hellen Spindola
Publicado em 26/10/2026 08:36
Política

Por que parte da direita não gosta do bolsonarismo?

A primeira coisa importante é entender que a direita brasileira não é um grupo único. Existem conservadores, liberais na economia, defensores de pautas religiosas, militares, integrantes do Centrão e políticos de centro-direita. Eles podem concordar em algumas questões e discordar profundamente em outras. Estudos sobre a política brasileira identificam justamente essas diferentes correntes.

 

 

Nem toda a direita rejeita Jair Bolsonaro. Muitos continuam apoiando o ex-presidente. Mas uma parte passou a criticar o bolsonarismo ou a defender uma direita menos dependente da família Bolsonaro.

6 motivos para essa divisão

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1. Rejeição à polarização política

Alguns políticos de direita consideram que o confronto permanente com a esquerda, o STF, a imprensa e outros adversários dificulta acordos e afasta eleitores moderados. Eles preferem disputar apoio com propostas de governo, em vez de manter a política centrada em conflitos.

 
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2. Divergências sobre democracia e instituições

Há conservadores que defendem posições firmes contra a esquerda, mas consideram indispensável respeitar as regras eleitorais, a Constituição e a alternância de poder. As controvérsias envolvendo os ataques ao sistema eleitoral e a trama golpista investigada após a eleição de 2022 aprofundaram as divergências dentro da direita.

 

 

 
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3. Diferenças sobre economia

A direita liberal costuma priorizar responsabilidade fiscal, privatizações, abertura econômica e previsibilidade para os negócios. Já o bolsonarismo reúne grupos com interesses variados, incluindo setores liberais e outros que defendem intervenções estatais específicas. Quando as prioridades entram em conflito, surgem críticas.

 
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4. Disputa por liderança e poder

Alguns dirigentes querem construir projetos próprios e não depender do apoio de Bolsonaro ou de seus familiares. A indicação de candidatos, o controle partidário e a escolha de quem representará a direita nas eleições podem gerar disputas entre antigos aliados.

 

 

 
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5. Receio de perder eleitores moderados

Uma parte da direita teme que a associação com declarações polêmicas e conflitos institucionais aumente a rejeição dos candidatos ligados ao movimento. Esses políticos podem tentar se distanciar do bolsonarismo sem abandonar pautas conservadoras.

 

 

 
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6. Diferenças entre ser conservador e ser bolsonarista

Uma pessoa pode ser contra o aborto, defender políticas de segurança mais rígidas, valorizar a religião ou apoiar impostos menores sem concordar com todas as atitudes de Bolsonaro. Para alguns conservadores, sua identidade política é mais ampla do que a fidelidade a um líder específico.

Quem são os grupos da direita que podem discordar do bolsonarismo?

  • Liberais econômicos: podem apoiar privatizações e redução do Estado, mas discordar de medidas econômicas ou de conflitos que prejudiquem a estabilidade.

  • Conservadores institucionais: defendem valores tradicionais, mas querem que a disputa política respeite as instituições democráticas.

  • Centro-direita e Centrão: frequentemente priorizam alianças, governabilidade, influência parlamentar e espaço na administração pública.

  • Direita ligada a outras lideranças: pode apoiar políticas conservadoras sem aceitar que Bolsonaro ou sua família tenham a palavra final sobre as candidaturas.

Essas categorias não são rígidas: uma mesma pessoa pode pertencer a mais de uma delas.

A direita quer abandonar Bolsonaro?

Não necessariamente. Há uma disputa entre manter Bolsonaro como principal referência eleitoral e construir uma alternativa com identidade própria. A Reuters já registrou divisões na oposição de direita sobre a sucessão presidencial de 2026, enquanto análises políticas brasileiras apontam tensões entre a direita tradicional e a corrente bolsonarista.

 

 

A principal diferença é esta: ser de direita significa compartilhar determinadas ideias políticas; ser bolsonarista significa, além disso, apoiar um movimento construído em torno de Jair Bolsonaro e de sua liderança.

Por isso, alguém pode ser de direita, discordar do governo Lula e, ainda assim, criticar Bolsonaro. Da mesma forma, alguém pode apoiar Bolsonaro sem concordar com todas as posições de outros grupos conservadores.

No fundo, a disputa envolve não apenas ideias, mas também quem liderará a direita brasileira, quais propostas serão priorizadas e quais limites devem orientar a atuação política.

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