O bolsonarismo é um movimento político e social brasileiro associado a Jair Bolsonaro. Ele reúne pessoas, grupos e organizações que compartilham, em diferentes graus, suas ideias políticas, seus valores conservadores e sua oposição à esquerda, especialmente ao Partido dos Trabalhadores (PT).
O movimento ganhou força durante a década de 2010 e se tornou uma das principais correntes políticas do Brasil, alcançando seu auge eleitoral com a vitória de Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018.
1. Como surgiu o bolsonarismo?
O bolsonarismo não apareceu de repente. Ele se formou a partir da combinação de insatisfação com a política tradicional, crises econômicas, denúncias de corrupção, conservadorismo social e da atuação política de Bolsonaro.
2013 — As manifestações populares
Em junho de 2013, protestos iniciados contra o aumento das tarifas do transporte público se espalharam pelo país. As reivindicações se ampliaram e passaram a incluir críticas à corrupção, aos serviços públicos e aos políticos.
As manifestações reuniram pessoas com ideias muito diferentes. Parte dos grupos mobilizados posteriormente se aproximou de movimentos de direita, mas os protestos de 2013 não foram exclusivamente de direita nem podem ser considerados, isoladamente, a origem do bolsonarismo.
2014 a 2016 — Crise política e econômica
Nesse período, o Brasil enfrentou uma grave recessão econômica, aumento do desemprego e uma crise de confiança nas instituições políticas.
A Operação Lava Jato trouxe investigações e denúncias de corrupção envolvendo políticos e empresas de diferentes partidos, embora o PT tenha sido particularmente atingido no debate público.
Em 2016, o impeachment da presidente Dilma Rousseff aprofundou a polarização política.
Nesse cenário, cresceram o antipetismo — oposição ao PT — e a rejeição a políticos tradicionais. Bolsonaro conseguiu transformar parte dessa insatisfação em apoio à sua candidatura.
2017 e 2018 — Bolsonaro se torna uma liderança nacional
Bolsonaro era deputado federal havia décadas, mas até então não tinha o mesmo alcance nacional que conquistaria em 2018.
Sua popularidade cresceu com um discurso que combinava:
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Combate à corrupção: promessa de enfrentar os esquemas de corrupção e os políticos tradicionais.
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Segurança pública: defesa de punições mais duras e maior liberdade para o uso de armas.
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Conservadorismo social: defesa da família tradicional e oposição a determinadas pautas progressistas.
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Valores religiosos: aproximação com setores evangélicos e grupos cristãos conservadores.
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Antipetismo: oposição intensa aos governos e às lideranças do PT.
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Nacionalismo e patriotismo: uso de símbolos nacionais, como a bandeira brasileira, e valorização das Forças Armadas.
As redes sociais também foram fundamentais para divulgar suas mensagens e mobilizar apoiadores. Em 2018, Bolsonaro venceu a eleição presidencial e o movimento passou a ocupar o centro da política nacional.
2. Quem faz parte do bolsonarismo?
O bolsonarismo não é um grupo homogêneo. Entre seus apoiadores existem pessoas com motivações e prioridades diferentes, como:
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Conservadores religiosos, que priorizam pautas relacionadas à família, à religião e aos costumes.
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Militares e defensores de políticas de segurança mais rígidas, que valorizam a disciplina, a hierarquia e o combate ao crime.
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Liberais na economia, que defendem privatizações, redução da intervenção estatal e maior liberdade para as empresas.
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Antipetistas, cuja principal motivação política é a oposição ao PT e à esquerda.
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Apoiadores fiéis de Bolsonaro, que se identificam pessoalmente com o ex-presidente e suas posições.
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Eleitores insatisfeitos com a política tradicional, que viram nele uma alternativa aos partidos estabelecidos.
Esses grupos nem sempre concordam em tudo. O que os aproxima é, em diferentes graus, a identificação com Bolsonaro e com partes de seu projeto político.
3. Qual é a diferença entre ser de direita e ser bolsonarista?
Embora estejam relacionados, os termos não significam a mesma coisa.
Direita
É um campo político amplo, que inclui liberais econômicos, conservadores, democratas-cristãos e outras correntes. Existem pessoas de direita que não apoiam Bolsonaro.
Conservadorismo
É uma orientação que valoriza a preservação de tradições, instituições e costumes. Pode existir tanto dentro quanto fora do bolsonarismo.
Bolsonarismo
É uma corrente política mais diretamente ligada à liderança de Bolsonaro, à sua trajetória, ao seu discurso e à identidade construída em torno de seu movimento.
Pesquisadores também discutem a relação do bolsonarismo com a extrema direita. Essa classificação considera aspectos como o discurso autoritário, a relação com as instituições democráticas e determinadas posições sobre direitos e minorias. A interpretação varia entre pesquisadores, e é importante avaliar características concretas em vez de classificar automaticamente todos os seus eleitores da mesma maneira.
4. Por que o bolsonarismo divide tanto a sociedade?
A polarização ocorre porque o movimento envolve não apenas propostas de governo, mas também valores, identidade política e a maneira como seus apoiadores e adversários interpretam o Brasil.
Para muitos apoiadores, Bolsonaro representa oposição à corrupção, defesa da liberdade econômica, segurança pública e valores conservadores.
Para seus críticos, o movimento levanta preocupações sobre declarações contra adversários políticos, direitos das minorias, políticas ambientais e respeito às instituições democráticas.
Durante seu governo, de 2019 a 2022, essas divergências ficaram evidentes em debates sobre a pandemia de COVID-19, o meio ambiente, as armas, os costumes e a confiança no sistema eleitoral. A avaliação dessas políticas e declarações depende da análise de fatos específicos e de suas consequências.
5. O bolsonarismo acabou depois das eleições de 2022?
Não. A derrota de Bolsonaro na eleição presidencial de 2022 não significou o desaparecimento do movimento. Ele continuou presente na política por meio de eleitores, parlamentares, lideranças partidárias, manifestações e comunidades nas redes sociais.
Isso demonstra uma característica importante: o bolsonarismo deixou de ser apenas uma candidatura e se tornou uma identidade política que pode continuar existindo mesmo quando seu principal líder não ocupa a Presidência.