Em reportagens publicadas em outubro de 2026, aparecem duas apurações no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo Flávio Bolsonaro e um pedido de abertura de outro inquérito. É essencial diferenciar investigações em andamento de acusações comprovadas: ser investigado não significa ser culpado.
1. Caso do filme Dark Horse e do Banco Master
Inquérito aberto
A Polícia Federal investiga suspeitas de:
-
Lavagem de dinheiro: possível ocultação ou dissimulação da origem de recursos.
-
Corrupção: suspeita de que recursos possam estar ligados a vantagens indevidas.
-
Evasão de divisas: possível envio irregular de dinheiro para fora do Brasil.
-
Outros delitos relacionados, conforme a investigação.
O caso envolve o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e negociações com Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. Segundo reportagem do UOL publicada em 21 de outubro, a investigação apura negociações que poderiam chegar ao equivalente a R$ 134 milhões; a reportagem relata que pelo menos R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados.
Flávio afirmou que buscava investimento privado para o filme e negou irregularidades. A existência de repasses ou contatos financeiros, isoladamente, não prova a prática de crime.
2. Suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo advogado investigado no caso INSS
Pedido de investigação
Em 18 de outubro de 2026, a Folha de S.Paulo noticiou que a Polícia Federal enviou ao STF um pedido para investigar suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz.
A apuração menciona viagens internacionais pagas por intermédio de uma empresa ligada ao advogado e o acesso de Flávio a uma conta bancária de uma empresa offshore. A PF investiga se essas relações financeiras podem indicar irregularidades.
Situação processual: segundo a reportagem, o pedido ainda não havia sido convertido em inquérito. A campanha de Flávio afirmou que ele não era investigado nesse procedimento e que mantinha uma relação de amizade com o advogado.
3. Caso das chamadas “rachadinhas”
Caso arquivado
O Ministério Público do Rio de Janeiro investigou suspeitas de que parte dos salários de funcionários do gabinete de Flávio, quando deputado estadual, era devolvida ou repassada a terceiros.
A investigação também envolveu suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de uma loja de chocolates e de transações imobiliárias.
O caso foi arquivado após decisões judiciais anularem provas utilizadas na investigação. Portanto, não deve ser apresentado como um processo criminal atualmente em andamento contra Flávio por esses fatos. Ele negou ter cometido irregularidades.
OUTRAS POLÊMICAS:
Loja de chocolates e suspeita de lavagem de dinheiro
O Ministério Público investigou depósitos em dinheiro na franquia de chocolates de Flávio e levantou a hipótese de que o negócio teria sido usado para ocultar a origem de recursos. A investigação também questionou a participação de seu sócio. Essas suspeitas faziam parte do contexto das rachadinhas e não resultaram em condenação válida de Flávio.
4. Compra de imóveis e pagamentos em dinheiro vivo
O Ministério Público questionou compras e vendas de imóveis realizadas por Flávio e sua família, incluindo transações em espécie e depósitos fracionados. Em 2026, também surgiram questionamentos sobre o financiamento de uma mansão em Brasília pelo BRB, no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master. A defesa afirma que os negócios foram legais e que o financiamento foi quitado.
5. Relação com o advogado Willer Tomaz e empresas de apostas
Reportagens de outubro de 2026 descreveram uma investigação sobre possíveis relações financeiras entre Flávio, Tomaz e empresas associadas a apostas on-line. Os investigadores examinam viagens pagas por empresas ligadas ao advogado e registros relacionados a uma empresa offshore. Flávio nega participação irregular e contesta as informações sobre acesso a contas bancárias.
6. Homenagens a Adriano da Nóbrega
Flávio propôs homenagens ao ex-policial militar Adriano da Nóbrega, incluindo a Medalha Tiradentes, em 2005. Anos depois, Adriano passou a ser apontado pelas autoridades como chefe de uma milícia e do chamado Escritório do Crime. A mãe e a então esposa dele também trabalharam no gabinete de Flávio. Flávio diz que as homenagens ocorreram quando considerava Adriano injustiçado. Esses fatos não comprovam que Flávio tenha integrado uma milícia.
7. Emenda parlamentar de aproximadamente R$ 200 mil
Uma emenda de Flávio destinou R$ 199.999,79 a um instituto para um projeto de futebol infantil. A Polícia Federal investiga suspeitas de desvios envolvendo entidades e pessoas ligadas ao entorno dos irmãos Brazão. Mensagens indicaram que um ex-assessor de Domingos Brazão pediu ajuda a uma assessora de Flávio para obter recursos. Segundo as informações consultadas, Flávio não era alvo dessa investigação, e não havia conclusão judicial de que tivesse cometido desvio.
8. Disputa por imóvel em ilha de Angra dos Reis
Em outubro de 2026, o jogador Richarlison acusou Flávio de envolvimento em uma disputa por uma propriedade na Ilha Comprida, alegando ter investido cerca de R$ 10 milhões no imóvel. A controvérsia envolve direitos de ocupação e negócios atribuídos a Willer Tomaz. Flávio nega participação comercial na aquisição, e as versões sobre a legitimidade da negociação são contestadas.
2. Polêmicas envolvendo relações políticas e decisões públicas
9. Homenagem a Ronald Paulo Alves Pereira
Flávio também propôs uma homenagem parlamentar ao então capitão da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira, em 2004. Ronald foi posteriormente condenado no caso dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes. A homenagem é um fato documentado, mas não demonstra participação de Flávio nos crimes.
10. Voto contra homenagem póstuma a Marielle Franco
Em 2018, Flávio foi o único deputado estadual a votar contra a concessão póstuma da Medalha Tiradentes à vereadora Marielle Franco. A decisão gerou críticas políticas. O voto é público; não é, por si só, evidência de envolvimento no assassinato. Flávio negou qualquer relação com o crime.
11. Aproximação com Donald Trump e terras raras
Flávio defendeu uma parceria estratégica entre Brasil e Estados Unidos para explorar minerais críticos e terras raras. Críticos questionam os riscos para a soberania nacional, o controle dos recursos e a distribuição dos benefícios econômicos. Seus apoiadores apresentam a parceria como uma forma de atrair investimentos. Não há comprovação de que Flávio tenha cedido as reservas brasileiras aos Estados Unidos.
12. Declarações sobre o Pix, o aquecimento global e as urnas eletrônicas
A Agência Lupa verificou declarações de Flávio durante a campanha de 2026 e apontou erros ou distorções em falas sobre a criação do Pix, a existência do aquecimento global e o sistema eleitoral. Também contestou a afirmação de que Jair Bolsonaro nunca representou uma ameaça à democracia. Essas controvérsias dizem respeito à precisão das declarações públicas, não a condenações criminais.
3. Outras controvérsias frequentemente citadas
-
Relação com Fabrício Queiroz: Queiroz foi seu ex-assessor e apareceu no centro das suspeitas de rachadinha. Flávio negou irregularidades.
-
Doação de campanha ligada ao Banco Master: Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, fez uma doação de R$ 3 milhões à campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2022. O fato foi objeto de questionamentos políticos, mas uma doação, isoladamente, não comprova crime de Flávio.
-
Declaração sobre a juíza Patrícia Acioli: em 2011, após o assassinato da magistrada, Flávio publicou comentário sobre a maneira como ela tratava policiais em audiências. A fala recebeu críticas por parecer responsabilizar a juíza por ter criado inimigos.
-
Questionamentos sobre a família Bolsonaro e o 8 de janeiro: Flávio defende o pai e critica decisões judiciais contra ele. Seus posicionamentos são contestados por adversários que os consideram uma minimização dos ataques às instituições; seus apoiadores defendem a família e questionam a atuação do Judiciário.