Principais declarações contestadas pelos verificadores
1. Declarações classificadas como falsas
1. “Lula disse que ladrão de celular rouba para tomar cervejinha.”
O UOL Confere classificou a afirmação como falsa. A fala original de Lula sobre tomar cerveja se referia a torcedores de times rivais que podem conviver pacificamente depois do jogo, e não a pessoas que roubam celulares.
2. “Existem mais de 11.500 obras paralisadas do atual governo”, segundo o TCU.
Falso segundo o UOL. O painel do Tribunal de Contas da União registrava 4.215 obras paralisadas em julho de 2026. O número de 11.500 se referia a um levantamento anterior.
3. A redução das embalagens de produtos seria um legado do governo Lula.
O UOL classificou essa alegação como falsa porque a prática, conhecida como reduflação, já era documentada em 2021, durante o governo Bolsonaro. Isso não significa que a redução de embalagens tenha deixado de acontecer depois.
4. Tarcísio e Ricardo Nunes “acabaram com a Cracolândia”.
Falso segundo o UOL. Usuários deixaram alguns pontos da região central, mas continuaram circulando por outras ruas e praças. Relatórios também registraram a presença de usuários em diversos pontos da região. 5. Lula teria abandonado as vítimas das enchentes do Rio Grande do Sul.
O UOL classificou como falsa a acusação de abandono. O governo federal autorizou R$ 42,7 bilhões para a recuperação do estado, criou auxílio de R$ 5.100 para famílias elegíveis e destinou recursos à reconstrução habitacional. Isso não significa que toda promessa tenha sido cumprida ou que todas as famílias tenham recebido atendimento suficiente.
6. Jair Bolsonaro não teria debochado de pessoas com falta de ar durante a pandemia.
O Terra classificou como falsa a defesa apresentada por Flávio. A interpretação depende da gravação completa e do contexto das declarações de Bolsonaro, e não apenas de um trecho isolado.
7. Lula teria gastado mais de R$ 400 bilhões para tentar se reeleger.
A checagem do A TARDE classificou a afirmação como falsa. Uma acusação desse porte exige comprovação de que os gastos foram destinados à finalidade alegada; não basta somar despesas do governo e atribuí-las a uma tentativa de reeleição.
8. Lula seria o “pai do Tigrinho” e dos cassinos on-line.
O UOL classificou a afirmação como enganosa. A autorização das apostas de quota fixa ocorreu durante o governo Michel Temer; Bolsonaro não regulamentou o setor no prazo previsto. No governo Lula, o Congresso incluiu os jogos de cassino on-line na legislação, e Lula sancionou o texto aprovado. Portanto, atribuir a Lula sozinho a criação e a liberação de todo esse mercado distorce o histórico legislativo.
2. Declarações classificadas como enganosas ou distorcidas
9. “Bolsonaro foi quem aumentou o Bolsa Família para R$ 600.”
A afirmação precisa de contexto. O governo Bolsonaro elevou o benefício para R$ 600 em 2022, mas por meio do Auxílio Brasil, com pagamento temporário até dezembro daquele ano. A proposta orçamentária enviada para 2023 previa redução do valor. Por isso, o UOL classificou a fala como enganosa.
10. “Jair Bolsonaro concluiu a transposição do Rio São Francisco.”
Enganoso. Diferentes governos participaram da obra, incluindo Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. Mais de 90% da infraestrutura foi entregue ao longo dessas gestões; atribuir a conclusão exclusivamente a Bolsonaro apaga a participação dos governos anteriores.
11. “Lula chamou o agronegócio de fascista.”
Enganoso. Na declaração citada, Lula se referia a uma parcela do setor que, segundo ele, defendia o desmatamento. Também diferenciou esse grupo de produtores e empresários que atuam preservando o meio ambiente. A fala de Flávio retirou essa distinção do contexto.
12. “Lula votou contra a Constituição de 1988, que criou o SUS.”
O UOL classificou a fala como enganosa. A bancada do PT votou contra o texto final da Constituição, mas Lula e os demais deputados petistas assinaram a Carta Magna durante sua promulgação. O voto contrário ao texto final não significa que Lula tenha impedido a criação do SUS.
13. A previsão de que os juros seriam de 7% se Bolsonaro tivesse continuado no governo.
Enganosa. O UOL apontou que não havia, em outubro de 2022, uma projeção do Banco Central que permitisse afirmar que a taxa de juros estaria em 7% em 2026. A comparação apresentada no debate não tinha a sustentação indicada por Flávio.
14. “Bolsonaro deixou os R$ 600 do Bolsa Família como valor mínimo permanente.”
Também é importante distinguir o aumento temporário de 2022 da garantia permanente de um benefício. O UOL registrou que a proposta orçamentária para 2023 não previa a manutenção dos R$ 600 como piso.
15. “A pobreza na Argentina chegou a 40% no governo Milei”, acompanhada da afirmação de que a população estaria comendo carne de burro.
A checagem classificou a declaração como enganosa. A pobreza já era de 41,7% no segundo semestre de 2023, antes de Javier Milei assumir a Presidência, e subiu para 52,9% no primeiro semestre de 2024. A carne de burro, por sua vez, não é um alimento consumido de forma generalizada no país.
3. Outras acusações que também foram contestadas
Outras checagens publicadas após o debate identificaram mais declarações problemáticas:
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“O que você levou para o Nordeste foi o Comando Vermelho.” A declaração foi classificada como falsa pelo A TARDE.
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O governo Lula teria adiado a meta de atendimento de esgoto de 2033 para 2050.
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O Terra classificou a afirmação como falsa. Bolsonaro teria determinado pedágio zero para motociclistas em todas as concessões rodoviárias. O Terra classificou essa alegação como enganosa.
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O governo federal não teria entregado nem 30% do que prometeu às vítimas das enchentes gaúchas. Além da ausência de comprovação desse percentual, a checagem do UOL apontou recursos e medidas federais efetivamente destinados à reconstrução.