Por que eu sempre acabo me envolvendo com pessoas assim?
Depois de viver uma relação difícil, essa pergunta pode aparecer acompanhada de culpa, frustração e até vergonha.
Mas compreender os próprios padrões afetivos não significa assumir a responsabilidade pela violência sofrida.
A violência é responsabilidade de quem a pratica.
Ao longo da vida, construímos maneiras de nos relacionar a partir das nossas experiências, vínculos, aprendizados e da forma como fomos reconhecidos, ou não, em nossas necessidades emocionais.
Por isso, algumas características podem parecer familiares mesmo quando não são saudáveis.
Às vezes, aquilo que conhecemos pode ser confundido com aquilo que desejamos.
Uma relação marcada por instabilidade pode ser interpretada como intensidade.
O excesso de atenção pode parecer cuidado.
O controle pode ser confundido com proteção.
A necessidade de agradar pode parecer amor.
E, quando percebemos, estamos novamente tentando conquistar de alguém aquilo que tanto desejamos receber.
Isso não significa que exista uma escolha consciente pela dor.
Padrões relacionais nem sempre são percebidos enquanto estamos dentro deles.
O processo de autoconhecimento pode justamente ajudar a reconhecer essas repetições: compreender o que você busca em uma relação, quais comportamentos costuma tolerar, quais limites tem dificuldade de estabelecer e, principalmente, o que você acredita que precisa fazer para ser amada.
Talvez a pergunta não precise ser apenas:
“Por que eu escolho pessoas assim?”
Mas também:
“O que eu tenho aprendido sobre amor e sobre o meu próprio valor?”
Essa reflexão não serve para encontrar culpados. Serve para ampliar a consciência e possibilitar escolhas diferentes.
Você não é culpada pelo que alguém fez com você. Mas pode, com apoio e autoconhecimento, construir novas formas de se relacionar consigo mesma e com o outro.
Romper um padrão não acontece de um dia para o outro.
Às vezes, começa simplesmente quando você percebe que aquilo que um dia pareceu familiar já não precisa mais ser o que você aceita como amor.
Depois do Silêncio
Uma conversa sobre mulheres, relações e recomeços.
Katia Santos | Psicóloga
CRP 132502/06
@psicologakatiasantos