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RIVOTRIL E ZOLPIDEN AUMENTAM RISCO DE DEMÊNCIA EM ATÉ 79%
Por JOAO BISPO
Publicado em 25/08/2026 08:29
Saúde

A manchete precisa de uma ressalva importante. Existe, sim, estudo que encontrou uma associação de 79% maior risco de demência entre determinados idosos que utilizavam medicamentos para dormir com muita frequência. Mas isso não significa que Rivotril ou zolpidem causem demência em 79% das pessoas.

O que são esses medicamentos?

  • Rivotril (clonazepam): é um benzodiazepínico, utilizado principalmente para transtornos de ansiedade, crises convulsivas e algumas outras condições.
  • Zolpidem: é um hipnótico do grupo dos chamados “Z-drugs”, utilizado para tratamento de insônia.

Ambos atuam no sistema nervoso central e podem provocar sonolência, redução do estado de alerta e alterações de memória e concentração.

De onde veio o número de 79%?

Um estudo liderado por pesquisadores da UCSF acompanhou cerca de 3 mil adultos mais velhos, inicialmente sem demência, durante aproximadamente nove anos.

Entre os participantes brancos que relataram usar medicamentos para dormir “frequentemente” ou “quase sempre”, o risco observado de desenvolver demência foi 79% maior do que entre aqueles que raramente ou nunca utilizavam esses medicamentos.

O estudo incluiu benzodiazepínicos e os chamados Z-drugs, entre eles medicamentos como zolpidem.

⚠️ Isso prova que os remédios provocam demência?

Não.

Esse é o ponto mais importante.

O estudo encontrou uma associação, e não uma relação de causa e efeito. A própria pesquisa destaca que fatores como insônia, outras doenças, idade e características socioeconômicas podem influenciar os resultados.

Existe inclusive uma possibilidade chamada causalidade reversa: alterações no sono podem ser um dos primeiros sinais de processos que posteriormente levam à demência. Assim, a pessoa pode começar a utilizar medicamentos para dormir por causa de alterações que já estavam relacionadas ao desenvolvimento da doença.

Outras pesquisas também apresentam resultados conflitantes sobre benzodiazepínicos, Z-drugs e demência.

O uso prolongado merece atenção

Independentemente da questão da demência, o uso prolongado de clonazepam pode levar a dependência e tolerância, além de aumentar o risco de quedas e prejuízos cognitivos, especialmente em pessoas idosas.

Por isso, esses medicamentos devem ser utilizados com acompanhamento médico.

 

E nunca é recomendável interromper o Rivotril de forma abrupta, principalmente após uso prolongado, porque a retirada pode provocar sintomas de abstinência e, em determinadas situações, crises convulsivas.

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