Ouvir rádio

Pausar rádio

Offline
JUSTIÇA SOLTA EMPRESÁRIO APONTADO COMO MEMBRO DO PCC, ACUSADO DE MATAR ESPOSA
Por JOAO BISPO
Publicado em 25/08/2026 08:02
Notícia

A Justiça de São Paulo mandou soltar o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, acusado pelo Ministério Público de matar a esposa, Maria Katiane Gomes da Silva, e apontado pela acusação como integrante do PCC. O caso ganhou ainda mais repercussão porque a empresa dele foi contratada por uma entidade ligada à produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

 

O que aconteceu com a esposa

 

Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, morreu em 29 de novembro de 2025, após cair do 10º andar do prédio onde vivia com Alex, na Vila Andrade, zona sul de São Paulo.

 

Inicialmente, a morte chegou a ser tratada como uma possível queda ou suicídio. As investigações, porém, encontraram imagens de câmeras de segurança que mostrariam Alex agredindo a mulher antes da queda.

 

O Ministério Público denunciou o empresário por feminicídio, e a Justiça aceitou a denúncia, tornando-o réu. Alex admite ter agredido a companheira, mas nega ter jogado a mulher do prédio.

 

⚖️ Por que ele foi solto?

 

Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (25), a Justiça revogou, em 6 de agosto, a prisão de Alex.

 

A decisão determinou uma série de medidas cautelares. Ele:

 

não pode deixar a cidade por mais de oito dias;

não pode mudar de endereço sem autorização;

precisa comparecer à Justiça a cada dois meses;

deve manter telefone e endereço atualizados;

está proibido de se aproximar das testemunhas do caso.

 

Importante: a soltura não significa que ele foi absolvido. Alex continua sendo réu no processo de feminicídio e responderá ao processo em liberdade.

 

E a ligação com o PCC?

 

O Ministério Público de São Paulo aponta Alex como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). Uma decisão judicial também mencionou informações de que ele se apresentava como integrante da facção e utilizava o apelido “Escorpião do PCC”.

 

A defesa, entretanto, nega que ele faça parte da organização criminosa e afirma que as acusações não estão comprovadas.

 

Onde entra o filme “Dark Horse”?

 

A conexão está no negócio de internet.

 

Antes da prisão, Alex era sócio da Favela Conectada Serviços e Tecnologia, empresa contratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) para instalar pontos de Wi-Fi gratuito em regiões periféricas de São Paulo.

 

O ICB é presidido por Karina Ferreira da Gama, que também é proprietária da Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse. O contrato entre o ICB e a empresa de Alex tinha valor inicial de aproximadamente R$ 12 milhões.

 

A relação chamou a atenção porque o ICB é investigado pela Polícia Civil em um contrato milionário com a Prefeitura de São Paulo para instalação de Wi-Fi. A investigação apura possíveis irregularidades, incluindo suspeita de desvio de recursos públicos.

 

A polícia chegou a apontar suspeitas de que dinheiro do programa WiFi Livre SP poderia ter sido direcionado para atividades relacionadas à produção do filme. A produtora nega que Dark Horse tenha recebido dinheiro público brasileiro.

 

E a investigação sobre “Dark Horse”?

 

O caso ficou ainda maior nesta semana: o ministro Flávio Dino, do STF, autorizou a Polícia Federal a acessar as provas apreendidas pela Polícia Civil na investigação sobre a produtora.

 

A PF investiga uma frente diferente, relacionada principalmente à possível utilização irregular de emendas parlamentares. A Polícia Civil, por sua vez, investiga o contrato de Wi-Fi e possíveis desvios de recursos públicos.

Comentários