Ouvir rádio

Pausar rádio

Offline
CASOS DE "JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS" AUMENTAM EM 25% NO RJ
Por JOAO BISPO
Publicado em 25/08/2026 08:20
Notícia

O Rio de Janeiro registrou um aumento preocupante nos casos classificados como “exercício arbitrário das próprias razões”, expressão jurídica para situações em que alguém tenta resolver um conflito ou suposto crime por conta própria, sem recorrer às autoridades.

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), foram 504 ocorrências entre janeiro e março de 2026, contra 402 no mesmo período de 2025 — uma alta de aproximadamente 25%.

Um caso que chocou Copacabana

O assunto ganhou ainda mais repercussão após a morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, em Copacabana.

Ele foi espancado depois de ser acusado, sem provas, de ter roubado uma bicicleta. Quatro pessoas foram presas, entre elas dois homens que trabalhavam como seguranças na região. A Polícia Civil investiga o homicídio e também a atuação desses grupos de segurança.

Segurança privada fazendo patrulhamento?

Imagens também mostraram homens que trabalhavam como seguranças circulando pelas ruas de Copacabana portando porretes e abordando pessoas consideradas suspeitas.

A atuação levantou questionamentos porque empresas de segurança privada não podem simplesmente assumir o policiamento das ruas. Existem regras específicas para os diferentes serviços de segurança privada, e a Polícia Civil investiga se havia uma estrutura irregular de vigilância no bairro.

⚖️ Por que isso é perigoso?

O problema da chamada “justiça com as próprias mãos” é que uma suspeita não equivale a uma condenação.

Quando alguém decide punir outra pessoa por conta própria, existe o risco de:

  • uma pessoa inocente ser atacada;
  • uma discussão terminar em morte;
  • testemunhas serem ignoradas;
  • informações falsas provocarem violência;
  • grupos particulares passarem a exercer funções que pertencem ao Estado.

O caso do ciclista demonstra justamente esse perigo: uma acusação sem comprovação terminou em uma morte.

O número é ainda maior quando se olha para 2025

Durante todo o ano de 2025, o estado registrou 1.598 ocorrências dessa natureza, segundo os dados divulgados pelo ISP.

 

O crescimento acende um alerta sobre violência, sensação de insegurança e perda de confiança nas instituições. Fazer justiça por conta própria, porém, não substitui investigação, julgamento e devido processo legal — e pode transformar uma suspeita em uma nova tragédia.

Comentários