O que os pesquisadores descobriram?
Um estudo publicado no Journal of Pineal Research investigou justamente a relação entre melatonina, endometriose e EGFR. Os pesquisadores observaram que a melatonina reduziu o crescimento de lesões de endometriose em camundongos e também diminuiu a proliferação de células de endometriose cultivadas em laboratório.
O mecanismo encontrado foi especialmente interessante:
Melatonina → EGFR ↓ → PI3K/AKT ↓ → Cyclin D1 ↓ → proliferação celular ↓
O EGFR é um receptor localizado na superfície das células que participa de sinais relacionados a crescimento, sobrevivência e divisão celular. Na endometriose, a atividade dessa via pode estar aumentada.
A melatonina “bloqueou” o EGFR?
Mais precisamente, os pesquisadores descobriram que a melatonina se ligou ao EGFR e reduziu sua fosforilação, que é uma etapa importante para ativar sua sinalização.
Com isso, houve redução da atividade da via PI3K/AKT e da Cyclin D1, relacionada ao ciclo celular. O resultado foi uma diminuição da proliferação das células das lesões.
E o tamanho das lesões?
Nos camundongos que receberam melatonina durante três semanas, as lesões de endometriose ficaram significativamente menores em comparação com os animais do grupo controle. Também foram observados menores níveis de marcadores de proliferação celular, como Ki-67 e PCNA.
⚠️ Mas isso ainda não significa “melatonina cura endometriose”
Esse é o ponto mais importante.
A maior parte das evidências sobre redução estrutural das lesões ainda vem de modelos animais e estudos celulares. Uma revisão sistemática publicada em 2026 concluiu que a melatonina apresenta potencial para modificar a progressão da endometriose em modelos experimentais, mas que a evidência de regressão das lesões ainda é inconsistente e são necessários estudos clínicos mais rigorosos em mulheres.
Portanto:
✅ Existe um mecanismo biológico plausível.
✅ Houve redução de lesões em modelos animais.
✅ EGFR parece ser uma das vias envolvidas.
❌ Ainda não está comprovado que tomar melatonina faça as lesões de endometriose regredirem em mulheres.
❌ Não deve substituir o tratamento prescrito pelo ginecologista.
E há um detalhe interessante: estudos anteriores já haviam observado efeitos da melatonina sobre a proliferação de células endometriais e endometrióticas, incluindo redução da proliferação estimulada por estradiol.