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O QUE É A DOENÇA DE CREUTZFELDT-JAKOB (DCJ)
Por JOAO BISPO
Publicado em 22/08/2026 08:25
Saúde

A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é uma doença neurológica muito rara, degenerativa e de evolução extremamente rápida. Ela pertence ao grupo das doenças priônicas, causadas pelo mau dobramento de determinadas proteínas chamadas príons.

O que acontece no cérebro?

De forma simples:

  1. Uma proteína normalmente presente no organismo sofre uma alteração em sua estrutura.
  2. Essa proteína anormal pode induzir outras proteínas a também assumirem a forma incorreta.
  3. O processo provoca acúmulo de proteínas anormais e destruição progressiva de neurônios.
  4. O cérebro passa a perder funções rapidamente.

Por isso, a DCJ pode provocar uma deterioração neurológica muito acelerada.

⚠️ Quais são os sintomas?

Os primeiros sinais podem variar, mas podem incluir:

  • perda rápida de memória e outras capacidades cognitivas;
  • alterações de comportamento;
  • dificuldade para falar;
  • problemas de coordenação e equilíbrio;
  • alterações da visão;
  • rigidez muscular;
  • movimentos involuntários, chamados mioclonias;
  • dificuldade progressiva para caminhar e realizar atividades cotidianas.

Com a evolução, a pessoa pode perder a capacidade de se movimentar, falar e se alimentar de maneira independente.

❓ É uma doença hereditária?

Pode ser, mas na maioria dos casos não é.

Existem diferentes formas de DCJ:

  • Esporádica: surge sem uma causa identificável e representa a maioria dos casos.
  • Genética/familiar: relacionada a alterações genéticas herdadas.
  • Iatrogênica: extremamente rara, relacionada historicamente a determinadas exposições médicas.
  • Variante da DCJ: uma forma distinta associada à exposição a príons relacionados à encefalopatia espongiforme bovina.

Como é feito o diagnóstico?

Não existe um único exame simples que confirme todos os casos durante a vida. Os médicos combinam avaliação neurológica, ressonância magnética, eletroencefalograma e exames do líquido cefalorraquidiano, incluindo testes para marcadores associados à doença.

A confirmação definitiva tradicionalmente é feita pela análise do tecido cerebral, geralmente em autópsia; uma biópsia cerebral pode ser considerada em situações específicas, mas não costuma ser realizada apenas para confirmar DCJ.

Existe cura?

Atualmente, não existe cura nem tratamento comprovado capaz de interromper a progressão da DCJ. O tratamento é principalmente de suporte: controle dos sintomas, prevenção de complicações e cuidados para proporcionar conforto e qualidade de vida.

A doença costuma evoluir rapidamente. Na forma esporádica, muitos pacientes morrem dentro de aproximadamente um ano após o início dos sintomas, embora a evolução possa variar.

Um ponto importante

Apesar de ser chamada de doença “transmissível” em determinados contextos, a DCJ não é uma doença que se espalha pelo contato cotidiano. Não é transmitida simplesmente por estar perto da pessoa, abraçá-la, conversar, morar junto ou compartilhar objetos comuns.

 

É uma doença extremamente rara — a incidência é de aproximadamente 1 caso por milhão de pessoas por ano

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