O Ministério Público da Bolívia determinou a prisão do ex-presidente Evo Morales, acusando-o de envolvimento na organização de protestos e bloqueios de estradas que paralisaram o país por mais de 50 dias. A decisão representa uma nova escalada da crise política boliviana e aprofunda a disputa entre o ex-líder e o atual governo.
Do que Evo Morales é acusado?
Segundo o mandado emitido pela Procuradoria-Geral, Morales é investigado por crimes como:
- terrorismo;
- insurreição ou levante armado;
- associação criminosa;
- outros delitos relacionados à organização dos bloqueios de rodovias.
As autoridades afirmam que o ex-presidente teria incentivado manifestações que interromperam o transporte de mercadorias, combustíveis e alimentos, provocando uma grave crise de abastecimento e prejuízos econômicos em todo o país.
O que foram os protestos?
Entre maio e junho, apoiadores de Evo Morales bloquearam diversas rodovias estratégicas da Bolívia em protesto contra o governo e contra decisões que impediram sua candidatura presidencial.
Os bloqueios:
- interromperam o transporte entre várias regiões;
- causaram escassez de combustíveis e alimentos;
- afetaram exportações e o comércio interno;
- geraram confrontos entre manifestantes e forças de segurança.
Segundo autoridades bolivianas, os confrontos deixaram 22 mortos durante o período de crise.
O que diz Evo Morales?
Morales rejeita todas as acusações e afirma que é vítima de perseguição política. O ex-presidente sustenta que o processo judicial busca afastá-lo definitivamente da vida política e desviar a atenção da crise econômica enfrentada pelo país.
Contexto político
A relação entre Evo Morales e o governo boliviano se deteriorou nos últimos anos. Depois de governar a Bolívia entre 2006 e 2019, ele rompeu com antigos aliados do partido Movimento ao Socialismo (MAS), dando origem a uma disputa interna pelo controle da esquerda boliviana.
Nos últimos anos, Morales também enfrentou outros processos judiciais, incluindo investigações distintas das relacionadas aos protestos.
O que pode acontecer agora?
Caso seja localizado pelas autoridades, Evo Morales poderá ser preso para responder ao processo. A ordem de prisão também aumenta a tensão política no país, já que seus apoiadores continuam influentes em diversas regiões, especialmente entre produtores de coca e movimentos sindicais.
Analistas avaliam que a medida pode provocar novas manifestações e ampliar a polarização política na Bolívia nas próximas semanas.