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RELATÓRIO DA UNAIDS PREVÊ RESSURGIMENTO DE EPIDEMIA GLOBAL DA DOENÇA
Por JOAO BISPO
Publicado em 28/07/2026 09:30
Saúde

Um novo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) alerta que o mundo pode enfrentar um ressurgimento da epidemia de HIV/AIDS caso não haja uma recuperação urgente dos investimentos em prevenção, diagnóstico e tratamento. O documento foi apresentado durante a 26ª Conferência Internacional de AIDS, realizada no Rio de Janeiro.

Segundo o relatório, o principal motivo para o alerta é a queda no financiamento internacional destinado ao combate ao HIV. Em 2025, os recursos globais para a resposta à epidemia caíram cerca de 18%, atingindo US$ 7,3 bilhões, o menor nível em quase duas décadas. Esse recuo ameaça reverter avanços conquistados ao longo dos últimos 30 anos.

Embora os números globais de novas infecções e mortes relacionadas à AIDS estejam nos menores níveis em mais de três décadas, a UNAIDS destaca que esse progresso é frágil. Em 2025, cerca de 1,2 milhão de pessoas contraíram o HIV, e 570 mil morreram por doenças relacionadas à AIDS. Sem ações imediatas, a meta de eliminar a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030 poderá não ser alcançada.

O relatório aponta que os cortes afetaram principalmente programas de:

  • distribuição de preservativos;
  • acesso à PrEP (profilaxia pré-exposição);
  • testagem para HIV;
  • acompanhamento de pacientes;
  • serviços comunitários voltados às populações mais vulneráveis.

Os impactos são especialmente preocupantes na África Subsaariana, região que concentra aproximadamente metade das novas infecções por HIV. Em países como Camarões, Nigéria e Zâmbia, o número de pessoas com acesso à PrEP caiu mais de 50% após a redução dos investimentos internacionais.

A diretora executiva da UNAIDS, Winnie Byanyima, afirmou que o mundo vive um momento crítico e alertou que a combinação entre redução de recursos, desigualdades sociais e enfraquecimento dos direitos humanos pode comprometer décadas de avanços no combate ao HIV.

 

Para evitar um novo avanço da epidemia, a UNAIDS defende a retomada da cooperação internacional, o fortalecimento dos sistemas públicos de saúde, a ampliação do acesso aos medicamentos antirretrovirais e às estratégias de prevenção, além da redução do estigma e da discriminação contra pessoas que vivem com HIV. Segundo o relatório, o cumprimento das metas para 2030 pode evitar 3,2 milhões de novas infecções e 1,3 milhão de mortes relacionadas à AIDS até o fim da década. 

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