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CIENTISTAS DA USP AJUDAM A QUEBRAR PARADIGMA CIENTÍFICO DE 400 ANOS
Por JOAO BISPO
Publicado em 16/07/2026 07:09
Descobertas Científicas

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) lideraram um estudo internacional que desafia um conceito aceito pela ciência há mais de 400 anos sobre o fenômeno da sincronização. O trabalho foi publicado na prestigiada revista Nature e é considerado um avanço importante na compreensão de sistemas complexos.

 

A sincronização é um fenômeno observado quando elementos que possuem ritmos próprios passam a funcionar em harmonia após interagirem. Esse comportamento foi descrito pela primeira vez no século XVII pelo cientista holandês Christiaan Huygens, que percebeu que dois relógios de pêndulo pendurados na mesma viga acabavam sincronizando seus movimentos. Desde então, acreditava-se que essa sincronização surgia a partir de interações entre pares de elementos.

 

O novo estudo, liderado pelos professores Tiago Pereira e Eddie Nijholt, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, mostrou que esse modelo não explica todos os casos. Os pesquisadores descobriram que, em estruturas chamadas hiper-redes (hypernetworks), a sincronização não acontece entre dois elementos, mas apenas quando três ou mais componentes interagem simultaneamente. Esse novo mecanismo foi denominado hyperlocking.

 

A descoberta amplia significativamente a forma como cientistas entendem redes complexas. Ela pode ajudar a explicar fenômenos em diversas áreas, como o funcionamento do cérebro, a propagação de informações em redes sociais, sistemas climáticos, redes elétricas, ecossistemas e até tecnologias de inteligência artificial, onde múltiplos componentes interagem ao mesmo tempo.

 

Segundo os autores, o estudo não invalida a teoria clássica de Huygens, mas demonstra que ela é apenas um caso particular. Em sistemas mais complexos, a interação coletiva entre vários elementos pode gerar comportamentos que os modelos tradicionais não conseguem prever. Essa nova abordagem abre caminho para o desenvolvimento de teorias matemáticas mais abrangentes e de aplicações tecnológicas capazes de descrever melhor a dinâmica de redes do mundo real.

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