Sim. É verdade que alguns países treinam golfinhos — e outros mamíferos marinhos — para fins militares há décadas. Isso não é teoria da conspiração nem invenção recente. Os programas mais conhecidos são dos Estados Unidos e da antiga União Soviética (hoje Rússia).
Os animais são usados principalmente para:
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detectar minas submarinas;
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localizar mergulhadores inimigos;
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proteger portos e bases navais;
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recuperar equipamentos perdidos no mar;
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patrulhar áreas subaquáticas.
O exemplo mais famoso é o programa da Marinha dos EUA, criado em 1959 durante a Guerra Fria, conhecido como “Marine Mammal Program”. Os americanos treinam principalmente golfinhos-nariz-de-garrafa e leões-marinhos.
Os golfinhos são escolhidos porque possuem ecolocalização (um tipo de “sonar biológico”) extremamente eficiente, conseguindo detectar objetos debaixo d’água melhor do que alguns equipamentos humanos em certas situações.
A União Soviética também teve programas semelhantes na Crimeia. Após o fim da URSS, parte desses animais ficou com a Ucrânia e depois passou ao controle russo após a anexação da Crimeia em 2014.
Nos últimos anos surgiram rumores sobre “golfinhos kamikaze” ou golfinhos carregando explosivos. Porém:
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não há provas públicas confiáveis de ataques suicidas com golfinhos;
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EUA e Rússia admitem programas militares com animais marinhos, mas negam oficialmente esse tipo de uso extremo.
O tema voltou ao debate recentemente por causa da guerra na Ucrânia e de rumores envolvendo o Irã no Oriente Médio. Imagens de satélite mostraram áreas de treinamento de golfinhos militares perto da base naval russa de Sebastopol, na Crimeia.
Além dos aspectos militares, existe forte debate ético. Organizações de defesa animal criticam o uso de mamíferos marinhos em operações de guerra por envolver confinamento, estresse e exposição a ambientes perigosos.