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VOCÊ NUNCA ESTÁ REALMENTE SOZINHO, CÉLULAS DA SUA MÃE FICAM COM VOCÊ PARA SEMPRE
Por JOAO BISPO
Publicado em 11/05/2026 08:38
Notícia

A ciência descobriu algo que parece poesia, mas é biologia: durante a gravidez, mãe e bebê trocam células entre si — e algumas delas podem permanecer no organismo por décadas. Esse fenômeno é chamado de microquimerismo fetal.

Durante a gestação, células do bebê atravessam a placenta e entram na corrente sanguínea da mãe. Ao mesmo tempo, células maternas também passam para o organismo do filho. O mais impressionante é que muitas dessas células não desaparecem após o parto: elas podem continuar vivas no corpo por anos — às vezes por toda a vida.

Pesquisas encontraram células fetais:

  • no cérebro;

  • no coração;

  • nos pulmões;

  • na pele;

  • e até na medula óssea das mães décadas depois da gravidez.

Em alguns estudos, cientistas identificaram células de filhos homens no cérebro de mães idosas por meio do cromossomo Y. Esse achado reforçou a ideia de que essas células conseguem migrar e se integrar a diferentes tecidos do corpo.

O fenômeno ainda está sendo estudado, mas há hipóteses fascinantes sobre seus efeitos. Algumas pesquisas sugerem que essas células podem:

  • ajudar na regeneração de tecidos;

  • participar da cicatrização;

  • influenciar o sistema imunológico;

  • ou até ter relação com certas doenças autoimunes.

Também foi observado o contrário: células da mãe permanecem no organismo dos filhos após o nascimento, criando uma espécie de “presença biológica” compartilhada.

A descoberta mudou a forma como a ciência enxerga a maternidade. Antes, acreditava-se que mãe e bebê eram organismos completamente separados. Hoje, sabe-se que a gravidez deixa marcas celulares reais e duradouras em ambos.

É por isso que muita gente descreve o microquimerismo como uma conexão física permanente entre mãe e filho — uma mistura rara de ciência e sensibilidade. O que parecia apenas metáfora ganhou evidência microscópica: parte de nós pode continuar vivendo no outro.

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