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DIAGNÓSTICO PRECOCE E DESAFIOS MÉDICOS RELACIONADOS À ENDOMETRIOSE
Por Susi Hellen Spindola
Publicado em 11/11/2025 08:59
Espaço Mulher

 

Diagnóstico precoce e desafios médicos na endometriose

A endometriose é uma dessas condições que vivem na sombra por tempo demais. É silenciosa no começo, barulhenta depois e, por muitos anos, foi tratada quase como uma lenda clínica. Hoje sabemos: ela é real, comum e impacta profundamente a vida de milhões de mulheres. E justamente por isso, entender o diagnóstico precoce e seus desafios é essencial.

 

Por que o diagnóstico demora tanto?

A média mundial de diagnóstico da endometriose costuma variar entre 7 e 10 anos. Esse atraso se deve a uma combinação complexa de fatores:

 

Sintomas que enganam

A dor menstrual intensa, um dos sinais mais clássicos, muitas vezes é normalizada. “É só cólica forte”, dizem. Mas não é. Dor que impede rotina, causa desmaios, náuseas ou interfere no trabalho e estudo não é normal.

 

Sem marcadores simples

Ao contrário de outras condições, não existe um exame de sangue que diga: “endometriose detectada”. O diagnóstico depende de um conjunto de sinais clínicos, exames de imagem e, em alguns casos, cirurgia.

 

Variabilidade da doença

A endometriose pode aparecer em lugares diferentes e se manifestar de formas variadas. Isso confunde e atrasa a identificação, especialmente em mulheres jovens.

 

Por que o diagnóstico precoce importa tanto?

Detectar a endometriose cedo muda o destino da doença:

 

Reduz a progressão das lesões

 

Ajuda a preservar a fertilidade

 

Melhora a qualidade de vida

 

Evita anos de dor crônica e complicações

 

Quanto mais cedo o tratamento começa, menores são as chances de a dor virar uma presença permanente.

 

Ferramentas que ajudam na detecção

Embora não exista um teste único, a combinação certa de abordagens faz diferença:

 

Avaliação clínica cuidadosa: escutar a paciente com atenção já é metade do caminho.

 

Ultrassom especializado e ressonância magnética: quando feitos por profissionais experientes, aumentam muito a precisão.

 

Laparoscopia: em casos complexos, é o padrão ouro para confirmar e tratar ao mesmo tempo.

 

 

O papel da informação

Um dos maiores aliados no diagnóstico precoce não é só o exame, mas o conhecimento. Quanto mais mulheres entendem os sintomas, mais cedo procuram ajuda. E quanto mais profissionais recebem treinamento sobre a doença, menos pacientes circulam por consultórios sem respostas.

 

Desafios ainda em aberto

Apesar dos avanços, alguns obstáculos continuam:

 

Desigualdade no acesso a especialistas

 

Exames que nem sempre estão disponíveis no sistema público

 

Falta de formação específica sobre dor pélvica crônica

 

Estigma sobre o próprio ciclo menstrual

 

A soma disso cria um labirinto que muitas pacientes atravessam sozinhas. E esse caminho deveria ser mais curto, mais claro e mais acolhedor.

 

O futuro do diagnóstico

Pesquisas avançam na direção de marcadores biológicos, novas tecnologias de imagem e tratamentos menos invasivos. A esperança é que, em alguns anos, o diagnóstico não leve quase uma década, mas apenas alguns meses.

 

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