Ouvir rádio

Pausar rádio

Offline
Depois do Silêncio
Perdoar não significa aceitar tudo novamente.
Por Katia Santos - Psicóloga
Publicado em 27/10/2026 18:36
Depois do Silêncio

Perdoar não significa aceitar tudo novamente.

 

Você pode perdoar alguém sem permitir que essa pessoa continue tendo acesso à sua vida.

 

Quando uma relação termina de forma dolorosa, podem surgir cobranças para perdoar, esquecer e seguir em frente. Às vezes, essas cobranças vêm de outras pessoas. Em outras ocasiões, partem da própria mulher, que deseja se libertar da mágoa e deixar de carregar o peso do que aconteceu.

 

Mas existe uma diferença importante entre perdoar alguém e restabelecer uma relação com essa pessoa.

 

Perdoar, quando esse é um caminho que faz sentido para você, não significa fingir que nada aconteceu, minimizar a dor ou justificar comportamentos que ultrapassaram seus limites.

 

Também não significa que você precise voltar, retomar o contato ou oferecer uma nova oportunidade.

 

O perdão não é uma obrigação, e a reconciliação não é uma consequência necessária dele.

 

Você pode reconhecer o que viveu, elaborar seus sentimentos e decidir que não deseja mais manter aquela relação.

 

Pode desejar que alguém encontre seu próprio caminho sem querer essa pessoa novamente na sua vida.

 

Pode até ainda sentir raiva ou tristeza enquanto aprende a construir uma rotina que não gire mais em torno daquela experiência.

 

Cada pessoa tem seu tempo para lidar com o que aconteceu. Não existe uma data determinada para deixar de sentir mágoa, e você não precisa apressar esse processo para atender às expectativas de ninguém.

 

Em relações marcadas por violência ou abuso, essa distinção é especialmente importante. O desejo de perdoar não deve ser utilizado para pressionar uma mulher a retornar a uma situação que ameaça sua segurança ou seu bem-estar.

 

Reconstruir a própria vida pode envolver estabelecer limites, interromper o contato quando possível e buscar apoio emocional e prático.

 

E, se houver filhos, responsabilidades compartilhadas ou outras circunstâncias que tornem o afastamento completo inviável, é possível pensar em formas de estabelecer limites compatíveis com a realidade de cada situação.

 

Talvez a pergunta mais importante não seja se você já conseguiu perdoar, mas:

 

“O que eu preciso fazer para cuidar de mim e seguir em frente com mais segurança?”

 

Você não precisa responder imediatamente. Pode refletir, buscar ajuda e reconhecer o que é possível neste momento.

 

Perdoar não exige que você reabra uma porta que precisou fechar para se proteger.

 

Você pode escolher a paz sem negar sua história. Pode seguir em frente sem justificar quem lhe machucou. E pode estabelecer limites sem precisar provar que deixou de sentir alguma coisa.

 

O seu processo não precisa seguir o roteiro de ninguém. Ele precisa respeitar sua história, seu tempo e sua segurança.

 

Depois do Silêncio

Uma conversa sobre mulheres, relações e recomeços.

 

Katia Santos | Psicóloga

CRP 132502/06

@psicologakatiasantos

 

**Acolhe • Fortalece • Transforma**

 

Comentários
Comentário enviado com sucesso!