Porque ainda sinto saudade de quem me machucou?
Como posso sentir saudade de alguém que também me fez sofrer?
Essa é uma pergunta que pode provocar confusão, culpa e até vergonha em mulheres que passaram por relacionamentos dolorosos.
Talvez você se lembre dos momentos bons, das conversas, dos planos e da pessoa por quem se apaixonou. Talvez sinta falta da companhia, dos hábitos compartilhados ou daquilo que acreditava que vocês poderiam construir juntos.
E, quando a saudade aparece, você pode começar a questionar sua decisão, pensar em procurar aquela pessoa ou imaginar se as coisas poderiam ter sido diferentes.
Mas existe algo importante a compreender: sentir saudade não significa que você precisa voltar.
Os sentimentos não desaparecem automaticamente quando reconhecemos que uma relação nos fazia mal. O vínculo afetivo pode continuar existindo mesmo quando há razões importantes para manter o afastamento.
Às vezes, você sente falta da pessoa. Em outras ocasiões, sente falta da rotina, da companhia, dos momentos felizes ou do futuro que imaginou ao lado dela.
Essas experiências podem se misturar, tornando difícil compreender exatamente o que está sentindo.
Por isso, quando a saudade aparecer, tente não transformar esse sentimento em uma ordem para agir. Em vez de decidir imediatamente se deve entrar em contato, permita-se observar o que está acontecendo dentro de você.
Pergunte-se:
Do que exatamente estou sentindo falta?
Estou lembrando da relação como ela realmente era ou apenas dos momentos em que tudo parecia bem?
O que me levou a reconhecer que essa relação não me fazia bem?
Essas perguntas não servem para invalidar o carinho que existiu, mas para ajudar você a olhar para a história de maneira mais completa.
Você pode reconhecer que houve momentos importantes e, ao mesmo tempo, compreender que eles não anulam as experiências de sofrimento.
Também não precisa se culpar por ainda sentir algo. A recuperação emocional não exige indiferença imediata, e cada pessoa atravessa esse processo de uma maneira particular.
Se a saudade estiver muito intensa, procure apoio de pessoas de confiança, retome atividades que façam sentido para você e considere o acompanhamento psicológico para elaborar o que viveu.
Se houve violência, ameaças ou controle, lembre-se de priorizar sua segurança antes de considerar qualquer reaproximação.
Você pode sentir saudade de uma história sem precisar voltar a vivê-la.
Nem todo sentimento precisa se transformar em uma decisão. Às vezes, o cuidado consigo mesma começa justamente quando você aprende a acolher o que sente sem abandonar aquilo que sabe que precisa para ficar bem.
Depois do Silêncio
Uma conversa sobre mulheres, relações e recomeços.
Katia Santos | Psicóloga
CRP 132502/06
@psicologakatiasantos
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