Campanha de Lula acusa gestores municipais de dificultar o deslocamento de eleitores; Polícia Federal investiga possíveis irregularidades
O segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado em 25 de outubro, foi marcado por denúncias de problemas no transporte público em diferentes regiões do Brasil. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando que a redução da circulação de ônibus e outras dificuldades de deslocamento poderiam ter prejudicado o direito de voto de milhares de brasileiros.
A denúncia envolveu cidades de pelo menos nove estados: Bahia, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará e Rio de Janeiro. O Ministério da Justiça também informou ter identificado falhas na oferta de transporte em oito estados.
Onde foram relatados problemas?
Entre os locais citados estão Salvador, São Paulo, Teresina, Maceió, João Pessoa, Petrópolis, São Gonçalo e municípios do interior da Bahia. Também foram relatadas dificuldades com o transporte intermunicipal e com balsas no Pará.
Na Bahia, o caso de Salvador ganhou destaque: o Procon estadual identificou 370 ônibus parados nas garagens, e a Justiça Eleitoral determinou providências relacionadas à circulação da frota. Em São Paulo, a campanha petista alegou que apenas parte dos ônibus previstos estava circulando, enquanto a prefeitura negou insuficiência de veículos.
Por que a oposição foi acusada?
Integrantes da campanha de Lula levantaram a suspeita de que a redução do transporte em determinadas cidades poderia ter sido deliberada, prejudicando especialmente eleitores que dependem do serviço público para chegar às seções eleitorais.
A acusação ganhou dimensão política porque algumas das cidades mencionadas são administradas por grupos que não apoiam o PT. Entretanto, a relação entre a administração municipal e os problemas de transporte precisa ser demonstrada em cada caso. A oposição e os gestores citados não podem ser considerados culpados apenas por suas posições políticas.
Polícia Federal investiga possíveis crimes eleitorais
A Polícia Federal abriu um inquérito em Sergipe e informou que apurava ocorrências relacionadas ao transporte em outros estados, incluindo São Paulo, Bahia, Alagoas e Piauí. A investigação busca esclarecer se houve impedimento ao exercício do voto ou ocultação de veículos para prejudicar a participação eleitoral.
O Ministério da Justiça informou ainda que foram registradas 669 ocorrências eleitorais no balanço divulgado na noite de domingo, incluindo diferentes tipos de infrações. Esse total não corresponde exclusivamente às denúncias de transporte.
Horário de votação foi prorrogado
Diante dos relatos de dificuldades, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin determinou a extensão do horário de votação até as 19h. A medida buscava assegurar que eleitores afetados pelas dificuldades de deslocamento tivessem mais tempo para votar.
A decisão gerou controvérsia porque foi tomada próximo do horário habitual de encerramento, e algumas urnas já haviam sido fechadas. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou posteriormente que a prorrogação não alterou a totalização dos votos.
O boicote foi comprovado?
Até as informações divulgadas em 25 de outubro, as investigações ainda estavam em andamento. Havia registros de problemas na circulação do transporte, decisões judiciais e apurações policiais, mas isso não significava que uma operação coordenada de boicote pela oposição estivesse definitivamente comprovada.
A investigação deverá esclarecer se houve falhas operacionais, descumprimento de ordens judiciais ou ações intencionais para impedir eleitores de votar, além de identificar eventuais responsáveis.
O direito ao voto deve ser garantido a todos, independentemente de preferência política. Se ficar comprovado que alguém utilizou o transporte público para impedir deliberadamente a participação eleitoral, o caso poderá gerar responsabilização conforme a legislação. Até que as apurações sejam concluídas, é fundamental distinguir as denúncias dos fatos já confirmados.