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HELEN BORGENS FAZ HISTÓRIA AO SE TORNAR A PRIMEIRA QUILOMBOLA APROVADA EM CONSCURSO PARA DIPLOMATA NO BRASIL
Por JOAO BISPO
Publicado em 27/10/2026 08:10
Notícia

Aos 25 anos, Helen Jaine Gomes Borgens conquistou um feito histórico ao se tornar a primeira pessoa quilombola aprovada no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD), que seleciona profissionais para o Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil. A aprovação ocorreu em maio de 2026 e ganhou destaque nacional em outubro.

 

 

Da comunidade quilombola ao sonho da diplomacia

Helen pertence à comunidade quilombola do Retiro, localizada em Simolândia, no nordeste de Goiás. Formada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ela construiu sua trajetória acadêmica enfrentando dificuldades de acesso a cursos preparatórios e professores especializados.

Um dos maiores desafios foi aprender inglês, parte importante da preparação para a carreira diplomática. Por morar no interior, precisou estudar grande parte do conteúdo por conta própria.

Sua avó, Brasilina Duques Borges, conhecida como Dona Miúda, foi uma de suas maiores inspirações. A valorização da educação dentro da família contribuiu para que Helen persistisse nos estudos e buscasse oportunidades que pareciam distantes de sua realidade.

 

 

Uma aprovação que representa milhares de pessoas

O concurso de 2026 ofereceu 60 vagas e marcou a primeira reserva de vagas específicas para candidatos indígenas e quilombolas na seleção para a carreira diplomática. Uma dessas vagas foi destinada a candidatos quilombolas e conquistada por Helen, no contexto da aplicação da Lei nº 15.142/2025.

 

 

A conquista tem importância que ultrapassa o resultado individual. A presença de pessoas de comunidades tradicionais em instituições de decisão ajuda a ampliar a diversidade de experiências e perspectivas na representação brasileira dentro e fora do país.

Qual é o próximo passo?

Após a aprovação, Helen deve realizar o curso de formação no Instituto Rio Branco. Depois de concluir essa etapa, poderá iniciar a carreira como terceira-secretária, primeiro posto da hierarquia diplomática brasileira. Ela também manifestou o sonho de, no futuro, chegar ao cargo de embaixadora.

 

 

A história de Helen mostra que a origem não determina até onde alguém pode chegar. Sua trajetória combina dedicação, educação e persistência, além de abrir uma nova referência para crianças e jovens quilombolas que desejam ocupar espaços historicamente pouco acessíveis.

Mais do que uma conquista profissional, sua aprovação representa a possibilidade de que diferentes histórias, culturas e realidades também estejam presentes na construção da política externa brasileira.

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