Aos 25 anos, Helen Jaine Gomes Borgens conquistou um feito histórico ao se tornar a primeira pessoa quilombola aprovada no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD), que seleciona profissionais para o Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil. A aprovação ocorreu em maio de 2026 e ganhou destaque nacional em outubro.
Da comunidade quilombola ao sonho da diplomacia
Helen pertence à comunidade quilombola do Retiro, localizada em Simolândia, no nordeste de Goiás. Formada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ela construiu sua trajetória acadêmica enfrentando dificuldades de acesso a cursos preparatórios e professores especializados.
Um dos maiores desafios foi aprender inglês, parte importante da preparação para a carreira diplomática. Por morar no interior, precisou estudar grande parte do conteúdo por conta própria.
Sua avó, Brasilina Duques Borges, conhecida como Dona Miúda, foi uma de suas maiores inspirações. A valorização da educação dentro da família contribuiu para que Helen persistisse nos estudos e buscasse oportunidades que pareciam distantes de sua realidade.
Uma aprovação que representa milhares de pessoas
O concurso de 2026 ofereceu 60 vagas e marcou a primeira reserva de vagas específicas para candidatos indígenas e quilombolas na seleção para a carreira diplomática. Uma dessas vagas foi destinada a candidatos quilombolas e conquistada por Helen, no contexto da aplicação da Lei nº 15.142/2025.
A conquista tem importância que ultrapassa o resultado individual. A presença de pessoas de comunidades tradicionais em instituições de decisão ajuda a ampliar a diversidade de experiências e perspectivas na representação brasileira dentro e fora do país.
Qual é o próximo passo?
Após a aprovação, Helen deve realizar o curso de formação no Instituto Rio Branco. Depois de concluir essa etapa, poderá iniciar a carreira como terceira-secretária, primeiro posto da hierarquia diplomática brasileira. Ela também manifestou o sonho de, no futuro, chegar ao cargo de embaixadora.
A história de Helen mostra que a origem não determina até onde alguém pode chegar. Sua trajetória combina dedicação, educação e persistência, além de abrir uma nova referência para crianças e jovens quilombolas que desejam ocupar espaços historicamente pouco acessíveis.
Mais do que uma conquista profissional, sua aprovação representa a possibilidade de que diferentes histórias, culturas e realidades também estejam presentes na construção da política externa brasileira.