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BOLSONARO E SUAS FRASES INFELIZES
Por Susi Hellen Spindola
Publicado em 24/10/2026 09:11
Política

A frase sobre "osso" — o que realmente foi dito

Bolsonaro não disse literalmente "pobre tem que comer osso". O que existe é uma frase dele de 2009, em tom de zombaria para com famílias que buscavam restos de familiares mortos pela ditadura:
"Quem procura osso é cachorro."
Essa frase ficou histórica pela crueldade: desrespeitava quem lutava por verdade e justiça.
Já a imagem de gente comendo osso surgiu no final do governo dele, em 2021–2022, quando filas para pegar ossos em açougues apareceram em várias cidades do país, num quadro de retorno da fome. Bolsonaro negava a realidade: em julho de 2019, disse que "falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira" e afirmou não ver pessoas com "físico esquelético" nas ruas. A oposição e a sociedade associaram a frase antiga à realidade da fome — e daí nasceu a versão popularizada de que ele disse que pobre come osso.

2. Na pandemia: zombaria e minimização

Durante a covid-19, com mais de 700 mil mortes no Brasil, Bolsonaro fez declarações que minimizavam a doença, zombava de quem adoeceu e atacava medidas de proteção:
  • Chamou a doença de "gripezinha" repetidamente, desde o início da pandemia.
  • Quando questionado sobre o número de mortes, respondeu: "E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu não sou coveiro."
  • Imitou pessoas com falta de ar em público, debochando de quem lutava pela vida nos hospitais.
  • Disse: "Isso é frescura, mimimi" sobre as preocupações com a doença.
  • Sobre vacinas: "Se você virar um jacaré, é problema seu" — comentando supostos efeitos colaterais, em dezembro de 2020. Também insinuou que vacina transformaria pessoas em gays.
  • Oposição ao isolamento social, atacou governadores que decretavam restrições e disse que "o povo não pode ficar em casa com medo".
  • Recusou comprar vacinas por meses, criou obstáculos à imunização e espalhou desconfiança sobre os imunizantes.

3. Outras falas problemáticas ao longo dos anos

Sobre mulheres

  • À deputada Maria do Rosário: "Não vou violentar você porque não merece" — em confronto público de 2014.
  • Disse que a filha nasceu mulher após uma "fraquejada".
  • Afirmou que mulheres deveriam ganhar menos porque faltam ao trabalho por licença-maternidade e cuidar de filhos.

Sobre LGBTQIA+

  • Disse que preferia ver um filho morrer num acidente a aparecer com um parceiro.
  • Afirmou que se o filho "ficasse assim meio gay", levava uma surra e mudava de comportamento.
  • Disse que casais do mesmo sexo mereciam levar uma surra ao andarem de mãos dadas.

Sobre negros e comunidades

  • Sobre descendentes de quilombolas: "Não fazem nada. Nem para procriar servem".

Sobre ditadura e violência

  • Disse que não houve golpe em 1964 e que a ditadura era necessária.
  • Sobre tortura e assassinatos no regime militar: "Errar é humano. Até na sua casa, quem nunca deu um tapa no filho e se arrependeu?".
  • Defendeu o uso de armas e disse que quem não reage a assalto merece o que acontece.

Sobre corrupção e conduta

  • Admitiu, em 2018, ter usado dinheiro público de auxílio-moradia para "comer gente" — depois disse que foi brincadeira e que não era verdade.
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