A Polícia Civil de São Paulo investiga a morte de pelo menos seis bebês no Hospital e Maternidade Salvalus, localizado no bairro da Mooca, na Zona Leste da capital paulista. Os casos teriam ocorrido ao longo de 2026 e levantaram suspeitas sobre possíveis infecções adquiridas durante a internação e complicações após procedimentos médicos.
O caso ganhou repercussão porque familiares de outras crianças também relatam mortes ocorridas na unidade e pedem esclarecimentos sobre a assistência médica prestada aos filhos.
O que está sendo investigado?
Segundo informações divulgadas pela imprensa, o inquérito foi instaurado pelo 8º Distrito Policial (Brás). A investigação inclui a análise dos prontuários médicos e a coleta de depoimentos de profissionais de saúde e testemunhas, para esclarecer as causas das mortes.
Entre as complicações mencionadas nos relatos e documentos estão:
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Sepse: resposta grave do organismo a uma infecção, capaz de provocar falência de órgãos.
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Choque séptico: forma extremamente grave de sepse, que pode causar queda perigosa da pressão arterial e comprometer a circulação.
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Infecções hospitalares: infecções que podem ser adquiridas durante a assistência médica, inclusive por microrganismos resistentes a antibióticos.
É importante ressaltar que essas condições podem ter diferentes causas. A existência de mortes após cirurgias não comprova, por si só, que houve erro médico ou que todos os casos estejam relacionados à mesma infecção.
Por que o número de mortes pode ser maior?
Embora a investigação policial esteja concentrada inicialmente em seis casos, uma advogada que acompanha familiares afirmou ter contato com 36 mães que perderam seus filhos após atendimentos no hospital. O portal Metrópoles também informou ter tido acesso a 16 certidões de óbito relacionadas aos relatos. Isso não significa que os 36 casos já tenham sido reconhecidos pela polícia como mortes causadas por uma mesma falha hospitalar.
O que dizem as famílias?
Familiares relataram complicações durante internações, incluindo suspeitas de infecções bacterianas e agravamento dos quadros clínicos. Entre os casos divulgados está o de Alice Vitória, que morreu em abril, aos 1 ano de idade, após uma internação prolongada. A mãe suspeita que a filha tenha contraído uma bactéria resistente a antibióticos durante a permanência no hospital.
Os relatos são graves e precisam ser investigados individualmente. Para determinar o que aconteceu, será necessário confrontar os depoimentos com os prontuários, exames laboratoriais, registros de infecção e laudos médicos.
O que diz o Hospital Salvalus?
O hospital pertence à rede Hapvida. Em manifestação divulgada à imprensa, a instituição afirmou que os pacientes apresentavam condições clínicas distintas e graves e que receberam assistência contínua, multidisciplinar e individualizada. A unidade também declarou que, nas avaliações realizadas até então, não havia identificado uma origem infecciosa comum entre os casos examinados.
A posição do hospital não encerra a questão: as circunstâncias de cada morte ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades.
Quais podem ser as consequências da investigação?
A apuração poderá esclarecer:
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Se as crianças contraíram infecções durante a internação.
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Se os protocolos de prevenção e controle de infecções foram cumpridos.
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Se houve falhas em cirurgias, medicamentos, monitoramento ou outros cuidados.
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Se existe relação entre os diferentes óbitos e eventual responsabilidade de profissionais ou da instituição.
Caso sejam identificadas irregularidades, poderão ocorrer desdobramentos criminais, administrativos e civis, conforme as provas e a legislação aplicável.
O ponto mais importante: até 23 de outubro de 2026, a investigação estava em andamento. Não há conclusão definitiva que comprove que todas as mortes decorreram de infecção hospitalar ou erro médico. O esclarecimento dos fatos é fundamental tanto para garantir respostas às famílias quanto para prevenir novas tragédias.