Um estudante de Direito identificado como Márcio Ferreira foi alvo de ofensas racistas na estação Vila Sônia, da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo, na noite de domingo (18). O episódio foi registrado em vídeo e ganhou repercussão nas redes sociais.
Como começou a discussão?
Segundo o relato do estudante, a confusão começou dentro de um trem, durante uma discussão política entre uma mulher e outros três jovens. A mulher teria proferido ofensas homofóbicas contra o grupo.
Márcio decidiu intervir para tentar acalmar os envolvidos e evitar que a discussão terminasse em agressão física. Mesmo discordando politicamente da mulher, ele afirma que tentou ajudá-la.
Depois que os outros jovens deixaram o local, o estudante continuou conversando com ela. Foi nesse momento que, segundo seu relato, passou a ser alvo de insultos racistas.
Vídeo registra as ofensas
ASSISTA: https://www.youtube.com/watch?v=zj3tJp-DegA
Nas gravações, a mulher se identifica como apoiadora de Bolsonaro e dirige expressões racistas ao estudante. Em determinado momento, ela admite ter utilizado o insulto “preto de bosta”.
A mulher também tenta justificar sua atitude alegando ter familiares negros. Essa justificativa, porém, não elimina o caráter discriminatório de uma ofensa motivada pela cor da pele.
Um segurança da estação interveio durante o episódio. O caso provocou indignação nas redes sociais, especialmente porque o estudante havia tentado inicialmente evitar que a discussão se transformasse em uma situação de violência.
O caso será investigado?
Sim. Segundo as informações divulgadas, o estudante denunciou o episódio, e o Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi), solicitou a instauração de inquérito policial para apurar os fatos.
No Brasil, a injúria racial é crime previsto na Lei nº 7.716/1989, com pena de reclusão de dois a cinco anos e multa. A responsabilização depende da apuração dos fatos e da análise das provas pelas autoridades.