

Pequena, arredondada e com uma aparência que parece saída de um desenho futurista, a Romi-Isetta continua sendo um dos automóveis mais curiosos já produzidos no Brasil. Cerca de sete décadas depois de sua chegada ao mercado brasileiro, o modelo ainda chama atenção pelo formato que lhe rendeu o apelido de “ovo sobre rodas”.
Um carro completamente diferente
A Isetta nasceu na Itália, criada pela empresa Iso, no início da década de 1950. O conceito era simples: oferecer um veículo extremamente compacto, econômico e relativamente acessível para o período do pós-guerra.
O resultado foi um automóvel com formato oval, duas pequenas rodas traseiras e uma característica que se tornou sua marca registrada: a porta ficava na parte dianteira do veículo.
Em vez de entrar pela lateral, como acontece na maioria dos carros, motorista e passageiro abriam a enorme porta frontal e entravam diretamente pela frente.
A Isetta brasileira
No Brasil, o modelo foi produzido pela Romi, fabricante de máquinas e equipamentos agrícolas de Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo.
Daí surgiu o nome Romi-Isetta.
A produção brasileira começou em 1956, tornando o modelo um dos primeiros automóveis fabricados em série no país.
Era um carro minúsculo para os padrões atuais. Tinha aproximadamente 2,3 metros de comprimento e espaço bastante limitado, normalmente para duas pessoas.
A porta na frente tinha uma função
O desenho extravagante não era apenas uma escolha estética.
Como o carro era extremamente curto, colocar a porta na dianteira ajudava a facilitar o acesso e permitia estacionar praticamente encostado a outros veículos.
Em determinadas situações, o motorista podia simplesmente abrir a porta frontal e sair diretamente para a calçada.
A solução também fazia parte da filosofia da Isetta: usar o mínimo possível de espaço e materiais para transportar duas pessoas.
Quase um carro, quase uma motocicleta
A Romi-Isetta também se diferenciava pelo motor pequeno. O projeto utilizava um propulsor de baixa cilindrada, com desempenho modesto, mas suficiente para a proposta urbana.
Seu tamanho e sua mecânica simples faziam com que o veículo estivesse em uma espécie de fronteira entre automóvel e motocicleta fechada.
Na Europa, justamente por causa dessas características, a Isetta tornou-se símbolo da mobilidade econômica do pós-guerra.
Por que continua tão admirada?
O curioso é que aquilo que poderia parecer ultrapassado atualmente acabou se transformando em seu maior charme.
A Isetta possui:
formato arredondado e incomum;
cabine extremamente compacta;
duas rodas traseiras próximas;
porta frontal;
pequenas dimensões;
visual considerado futurista para os anos 1950;
mecânica relativamente simples.
Hoje, exemplares preservados despertam interesse de colecionadores e admiradores de carros históricos.
Um conceito que voltou a ser discutido
A Romi-Isetta também parece surpreendentemente atual quando pensamos nos desafios das grandes cidades.
Um veículo pequeno ocupa menos espaço nas ruas e nas vagas de estacionamento e pode consumir menos energia do que um automóvel convencional.
O conceito de microcarro urbano, portanto, não desapareceu. Pelo contrário: voltou a despertar interesse com o crescimento dos veículos elétricos compactos.
A grande diferença é que os modelos atuais podem incorporar tecnologias que seriam inimagináveis na década de 1950.
❤️ Um ícone brasileiro
A Romi-Isetta teve produção relativamente curta no Brasil, mas deixou uma marca enorme na história automobilística nacional.
Mais do que um carro pequeno, ela representa uma época em que fabricantes experimentavam soluções completamente diferentes para responder a uma pergunta simples:
como transportar pessoas usando o mínimo possível de espaço, combustível e materiais?
Setenta anos depois, seu visual continua provocando a mesma reação: é difícil passar por uma Isetta sem olhar duas vezes.
E talvez seja justamente isso que explique sua permanência na memória dos brasileiros: a Romi-Isetta não tentou parecer com nenhum outro carro. Ela criou sua própria forma de existir sobre quatro — ou quase quatro — rodas.