A moeda da Argentina, o peso argentino (ARS), voltou a chamar atenção do mercado ao atingir uma nova mínima histórica em relação ao dólar americano, aprofundando uma desvalorização que se acumula há anos.
O que significa "mínima histórica"?
Significa que o peso atingiu o menor valor já registrado frente ao dólar desde que a atual moeda entrou em circulação. Em meados de julho de 2026, a cotação oficial ficou próxima de 1.480 pesos por dólar, enquanto um único peso passou a valer cerca de US$ 0,00067. Na prática, 1.000 pesos compram menos de US$ 1.
Por que o peso perdeu tanto valor?
A desvalorização é resultado de fatores acumulados ao longo de décadas, entre eles:
- Inflação muito elevada por vários anos.
- Emissão de moeda para financiar gastos públicos.
- Crises fiscais recorrentes.
- Queda das reservas internacionais.
- Desconfiança de investidores e da própria população na moeda local.
O governo Milei mudou esse cenário?
Desde que assumiu a presidência, Javier Milei implementou um forte ajuste fiscal, com cortes de gastos públicos, redução de subsídios e mudanças na política cambial. Essas medidas contribuíram para desacelerar significativamente a inflação em relação aos níveis registrados anteriormente.
Mesmo assim, o peso continuou perdendo valor frente ao dólar, pois a economia ainda passa por um processo de ajuste e a confiança na moeda leva tempo para ser reconstruída.
Como isso afeta os argentinos?
A desvalorização do peso impacta diretamente a população:
- diminui o poder de compra;
- encarece produtos importados;
- dificulta viagens internacionais;
- incentiva famílias e empresas a guardar patrimônio em dólares.
Além disso, muitos argentinos passaram a comprar stablecoins atreladas ao dólar, como forma de proteger seu dinheiro da perda de valor do peso.
Um dos maiores colapsos monetários recentes
Segundo dados de mercado, o peso argentino já perdeu cerca de 99,8% de seu valor em relação ao dólar desde 2009, tornando-se um dos casos mais extremos de desvalorização cambial das últimas décadas.