O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), demitiu nesta quinta-feira (3) o deputado federal Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado Da Cunha, dos quadros da Polícia Civil de São Paulo. A decisão foi publicada no Diário Oficial e encerra, pelo menos administrativamente, um processo disciplinar que se arrastava há anos.
O caso começou em 2020, quando Da Cunha foi acusado de encenar uma operação policial para produzir conteúdo para as redes sociais. Segundo a investigação, ele teria levado uma vítima de sequestro novamente ao local onde havia sido encontrada para gravar imagens de um suposto resgate, mesmo depois de a vítima já ter sido libertada por outros policiais.
⏳ Por que demorou tanto?
A Polícia Civil concluiu o processo e recomendou a demissão em 2022. Entretanto, a decisão final sobre a perda do cargo de delegado cabia ao governador.
O processo chegou à estrutura do governo estadual no final de 2022 e permaneceu em análise durante a gestão Tarcísio, iniciada em janeiro de 2023. Como delegados de polícia em São Paulo só podem ser demitidos pelo governador, a decisão ficou pendente até agora.
O caso também ganhou uma dimensão política. Reportagens anteriores apontaram que havia articulações para evitar a demissão, enquanto o governo Tarcísio negou interferência política e afirmou que os procedimentos seguiram a legislação e respeitaram o contraditório e a ampla defesa.
Poucas horas depois da demissão, a Justiça de São Paulo suspendeu a decisão em caráter liminar.
O desembargador Álvaro Torres Júnior apontou possíveis problemas relacionados ao direito de defesa e ao devido processo legal, especialmente pela inclusão de novos elementos no processo administrativo após a fase de instrução, sem que Da Cunha tivesse oportunidade de se manifestar sobre eles.
Com isso, a demissão fica temporariamente suspensa enquanto o caso é analisado pela Justiça.