O empresário Leonardo Souza Ceschini foi condenado pelo Tribunal do Júri de São Paulo a 13 anos e 24 dias de prisão pela morte da esposa, Érica Fernandes Alves Ceschini, de 34 anos. O julgamento aconteceu na noite de segunda-feira (31), mais de cinco anos depois do crime.
O caso ganhou repercussão porque a discussão que antecedeu o assassinato envolveu a rivalidade entre Corinthians e Palmeiras. Leonardo era corintiano e Érica, palmeirense.
O que aconteceu?
O crime ocorreu em 30 de janeiro de 2021, no apartamento do casal, na Vila Mangalot, zona noroeste de São Paulo.
Segundo a acusação, os dois discutiram durante a madrugada após uma conversa relacionada à final da Libertadores de 2020, vencida pelo Palmeiras. Durante a briga, Leonardo pegou uma faca e atingiu Érica várias vezes.
Os golpes atingiram regiões como tórax, costas e pernas, e ela morreu no próprio imóvel. Os filhos do casal estavam presentes no momento do crime.
Leonardo também apresentava um ferimento no abdômen e foi levado ao Hospital do Mandaqui, onde passou por cirurgia.
️ Ele alegou legítima defesa
Inicialmente, Leonardo apresentou uma versão segundo a qual Érica teria se ferido sozinha. Posteriormente, admitiu que a matou, mas afirmou que teria agido em legítima defesa, alegando que ela o havia ferido primeiro com a faca.
O Conselho de Sentença, entretanto, reconheceu a responsabilidade dele pelo crime.
⚖️ Por que a pena foi tão alta?
Os jurados reconheceram:
- feminicídio;
- meio cruel;
- crime cometido na presença dos filhos, circunstância que aumenta a pena.
A decisão também considerou a dinâmica do crime e os agravantes reconhecidos pelos jurados.
Leonardo havia respondido ao processo em liberdade e compareceu ao julgamento. Após a condenação, foi expedida uma ordem de prisão. Ainda cabe recurso da decisão.
O ponto mais importante do caso
Embora a história tenha ficado conhecida como um crime relacionado à rivalidade entre Corinthians e Palmeiras, juridicamente o caso foi tratado como feminicídio. A discussão futebolística foi o contexto apontado para o início da briga, mas não é correto tratar o assassinato como uma simples “briga de torcidas”.
O caso também chama atenção para como discussões aparentemente banais podem evoluir para violência extrema dentro de relacionamentos.