Pesquisadores chilenos desenvolveram um traje terapêutico especial para pinguins que precisam se recuperar de ferimentos e cirurgias. A tecnologia foi criada para proteger os animais durante a cicatrização e diminuir o risco de que eles reabram as próprias feridas.
O projeto reúne o Humboldt Conservation Center, a Universidade Católica do Norte e a empresa de inovação têxtil Kimba Vet.
Como funciona o traje?
Apesar do nome, não é uma roupa feita de metal. O tecido contém partículas microscópicas de cobre e zinco incorporadas às fibras.
Esses elementos podem ajudar durante a recuperação porque:
- o cobre ajuda a inibir o crescimento de bactérias e fungos;
- ️ também pode dificultar a proliferação de ácaros;
- o zinco está associado à formação de novos vasos sanguíneos, processo importante para a regeneração dos tecidos;
- o traje funciona como uma barreira física, protegendo os pontos e feridas.
Por que os pinguins precisam de uma roupa assim?
Muitos dos animais atendidos no centro de conservação chegam feridos após ficarem presos em redes de pesca, um problema relacionado à atividade humana.
Depois da cirurgia, existe uma dificuldade particular: pinguins possuem pescoços bastante flexíveis e conseguem alcançar algumas regiões do próprio corpo. Assim, podem arrancar pontos ou reabrir feridas durante a recuperação.
O traje foi justamente adaptado para a anatomia dos pinguins, a partir de roupas terapêuticas que já eram utilizadas em outros animais.
Cinco pinguins participaram dos testes
A tecnologia foi testada em cinco pinguins no Humboldt Conservation Center, em Coquimbo, no Chile. O centro trabalha principalmente com pinguins-de-Humboldt e pinguins-de-Magalhães.
O caso é especialmente importante para os pinguins-de-Humboldt: a espécie é considerada vulnerável, e o Chile abriga cerca de 80% da população remanescente mundial. Estimativas citadas pela Reuters indicam que a população caiu para menos de 20 mil indivíduos, contra cerca de 45 mil no final dos anos 1990.
Uma tecnologia que vai além da medicina veterinária
A iniciativa mostra como tecnologia têxtil e conservação da fauna podem trabalhar juntas. Em vez de simplesmente manter o animal internado até a ferida cicatrizar, o objetivo é tornar a recuperação mais segura e rápida, permitindo que ele volte ao ambiente natural mais cedo.
E há uma curiosidade: o Chile é o maior produtor mundial de cobre, então o projeto também utiliza um recurso extremamente importante para o país em uma aplicação voltada à conservação de uma espécie nativa.