A Polícia Civil do Espírito Santo investiga uma associação criminosa suspeita de furtar gado, realizar abates clandestinos e vender a carne ilegalmente no Sul do estado. A operação foi realizada nesta quarta-feira (26), com cinco mandados de busca e apreensão em Marataízes e Itapemirim.
Como funcionava o esquema?
A investigação começou há cerca de dois meses, depois que várias cabeças de gado foram furtadas de uma propriedade rural em Presidente Kennedy.
Durante as apurações, os policiais encontraram indícios de que o furto poderia fazer parte de uma estrutura maior de abigeato — termo usado para o furto de animais, especialmente gado.
Segundo a polícia, os animais eram retirados das propriedades e abatidos no próprio local. A carne era então transportada e distribuída para venda em diferentes pontos da região Sul capixaba.
Carne poderia chegar a açougues
Um dos pontos mais preocupantes da investigação é a suspeita de que cortes considerados nobres eram destinados a açougues da região.
A Polícia Civil também apura se alguns comerciantes sabiam que a carne tinha origem ilícita e, mesmo assim, participavam da revenda. Entre os locais investigados estão possíveis depósitos clandestinos e estabelecimentos comerciais.
Por que a carne clandestina é perigosa?
Além do prejuízo causado aos produtores rurais, o abate sem inspeção representa um problema de saúde pública.
A carne não passa pelos procedimentos oficiais de inspeção sanitária, o que dificulta verificar se o animal estava saudável, como ocorreu o abate e em quais condições a carne foi manipulada e armazenada.
Por isso, a operação contou com a participação das Vigilâncias Sanitárias de Marataízes e Itapemirim, que fiscalizaram a procedência, o armazenamento e a comercialização dos produtos encontrados.
Investigação continua
Os cinco mandados cumpridos fazem parte de uma investigação que ainda está em andamento. A polícia pretende:
- identificar todos os integrantes do grupo;
- descobrir se houve outros furtos de gado;
- rastrear para onde a carne era enviada;
- verificar a participação de comerciantes;
- dimensionar a possível rede de furto, abate, receptação e venda clandestina.
Até o momento, trata-se de uma investigação, e a eventual responsabilidade criminal dos suspeitos ainda precisa ser apurada pela Justiça.