O professor Augusto Teixeira, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), analisou a estratégia dos Estados Unidos e do Equador contra o narcotráfico e afirmou que uma ação militar, isoladamente, não seria suficiente para enfrentar o problema.
A avaliação foi apresentada no programa WW, da CNN Brasil, nesta sexta-feira (21).
O que ele quis dizer com “limpeza política e militar”?
Segundo Teixeira, o termo se refere à necessidade de retirar a influência do crime organizado de instituições do Estado, principalmente setores políticos, policiais e ligados ao sistema de Justiça.
Na avaliação do professor, em alguns países da região, organizações criminosas conseguiram cooptar agentes públicos e instituições, criando estruturas que facilitam a atuação do narcotráfico.
Por isso, para ele, combater apenas as rotas de transporte de drogas ou realizar operações militares não resolveria as causas mais profundas do problema.
E as operações militares dos EUA?
A análise ocorre em meio à intensificação da atuação dos Estados Unidos no combate a cartéis e ao narcotráfico no Equador.
A estratégia americana inclui ações para interromper rotas marítimas e redes logísticas utilizadas pelo tráfico, além de sanções contra grupos classificados pelos EUA como “narcoterroristas”.
Teixeira considera que essas operações podem produzir resultados pontuais, mas afirma que não eliminam as estruturas políticas, econômicas e institucionais que permitem a sobrevivência do crime organizado.
️ O problema vai além das drogas
Na visão do especialista, o combate ao narcotráfico precisaria envolver:
- fortalecimento das instituições públicas;
- combate à corrupção;
- investigação financeira das organizações criminosas;
- proteção e independência do sistema de Justiça;
- combate à corrupção policial;
- cooperação internacional;
- interrupção das rotas de tráfico;
- apreensão de recursos e patrimônio das organizações criminosas.
Ou seja, a ideia central é que não basta apreender drogas ou atacar traficantes: é necessário desmontar a estrutura que sustenta o negócio.
E o Brasil?
O professor também relacionou a situação à posição estratégica brasileira na América do Sul. Segundo ele, o aumento da presença militar americana na região pode representar pressão sobre a autonomia estratégica do Brasil e alterar o equilíbrio de poder no continente.