Um voo internacional da Azul que fazia a rota Campinas (Viracopos)–Orlando, nos Estados Unidos, enfrentou uma turbulência severa enquanto sobrevoava a região amazônica, em novembro de 2022. O caso voltou a repercutir após o Cenipa divulgar o relatório final da investigação nesta sexta-feira (21).
O avião era um Airbus A330, com 193 passageiros e 14 tripulantes. Durante o voo, a tripulação identificou instabilidade no radar meteorológico e chegou a desviar a aeronave. Posteriormente, o alerta de “apertem os cintos” foi acionado e os passageiros foram orientados a retornar aos seus assentos.
O que aconteceu depois?
Cerca de 40 segundos após o aviso, o avião entrou repentinamente em uma área de turbulência severa.
O episódio durou aproximadamente 55 segundos, com o momento mais intenso concentrado em poucos segundos. Foram registrados picos de +1,78 G e -0,35 G, provocando movimentos bruscos da aeronave.
Quatro passageiros que estavam sem o cinto de segurança foram arremessados para cima.
Um deles, que estava no assento 25D, foi projetado para o teto, bateu o braço na poltrona e caiu no corredor. Em Orlando, exames identificaram fratura no punho e em uma vértebra lombar.
Os outros três tiveram ferimentos considerados leves:
- 25D: fratura no punho e na vértebra lombar — lesões graves;
- 35C: contusão no abdômen;
- 26G: contusão na cabeça;
- 28D: contusão na cabeça.
Nenhum tripulante ficou ferido.
️ Houve falha no avião?
Segundo a investigação do Cenipa, não foi identificada falha mecânica ou erro dos pilotos.
Os equipamentos da aeronave, incluindo o radar meteorológico, estavam funcionando normalmente. O relatório apontou as condições meteorológicas adversas como fator contribuinte para a ocorrência.
Um detalhe importante é que o radar meteorológico não detecta a turbulência diretamente. Ele identifica principalmente áreas de precipitação associadas a tempestades, e algumas zonas de turbulência podem não aparecer claramente no radar.
Por que o cinto é tão importante?
O caso mostra por que especialistas recomendam manter o cinto afivelado durante todo o período em que o passageiro estiver sentado, mesmo quando o aviso luminoso estiver apagado.
Uma turbulência pode acontecer de maneira repentina, sem que haja tempo suficiente para a tripulação avisar os passageiros.
O próprio relatório do Cenipa reforçou a necessidade de conscientização dos passageiros para manterem os cintos afivelados independentemente do aviso luminoso.