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ADVOGADO SEQUESTRADO PELO PCC RELATA AMEAÇAS APÓS "TRIBUNAL DO CRIME"
Por JOAO BISPO
Publicado em 18/08/2026 14:20
Notícia

 

O advogado criminalista Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, relatou que continua com medo de morrer depois de ter sido sequestrado e submetido ao chamado “tribunal do crime” do Primeiro Comando da Capital (PCC), na Baixada Santista. O episódio aconteceu em 11 de junho de 2026, em Cubatão (SP).

Como aconteceu o sequestro?

Segundo o relato do advogado, ele recebeu uma ligação de uma pessoa que dizia precisar de seus serviços profissionais. Ao chegar ao local combinado, percebeu que se tratava de uma emboscada.

Rafaell foi levado para um barraco na Vila Esperança, em Cubatão, onde, segundo ele, havia cerca de 30 integrantes da facção. Outros aproximadamente 20 criminosos teriam participado do julgamento por meio virtual.

Ele permaneceu aproximadamente seis horas em poder dos criminosos.

⚖️ Por que ele foi sequestrado?

O advogado havia ingressado com uma ação judicial envolvendo uma disputa societária. Um dos envolvidos seria ligado ao PCC.

Os criminosos queriam que Rafaell entregasse o endereço de seu cliente, aparentemente para localizá-lo e matá-lo. Diante da recusa, passaram a pressioná-lo para que desistisse do processo judicial.

O advogado afirmou que sofreu tortura psicológica, ameaças de morte e invasão de seu celular. Os criminosos teriam encontrado conteúdos pessoais no aparelho e usado essas informações para ameaçá-lo.

Ele precisou desistir do processo

Diante das ameaças, Rafaell acabou concordando em abandonar a ação judicial para preservar a própria vida.

Depois de ser libertado, porém, decidiu denunciar o caso ao Ministério Público de São Paulo, dando início às investigações que posteriormente levaram à Operação Patrocínio Fiel.

⚠️ A ameaça continuou depois da libertação

O episódio ganhou uma nova dimensão porque, segundo o advogado, três dias depois de ser libertado, ele recebeu informações de que o PCC teria determinado sua morte.

Ele contou à CNN que ficou sabendo que o chamado “tribunal do crime” havia decretado sua morte, motivo pelo qual passou a temer novas represálias e está tomando medidas para mudar sua rotina e se proteger.

Operação Patrocínio Fiel

A denúncia levou o Gaeco, braço do Ministério Público especializado no combate ao crime organizado, a realizar a Operação Patrocínio Fiel, em parceria com a Polícia Militar.

Foram expedidos sete mandados de prisão e 19 de busca e apreensão em cidades como:

  • Cubatão;
  • Guarujá;
  • São Vicente;
  • Praia Grande;
  • Florianópolis (SC).

Até o momento, três suspeitos foram presos. Um quarto investigado morreu durante um confronto com policiais. Celulares, drogas, armas e munições também foram apreendidos.

️ Por que o caso é tão grave?

O episódio chama atenção porque mostra uma tentativa de uma organização criminosa de interferir diretamente no funcionamento da Justiça, usando sequestro, ameaça e violência para obrigar um advogado a abandonar uma ação judicial.

Além disso, o caso levanta uma questão particularmente grave: o advogado não teria sido sequestrado por causa de uma dívida ou disputa pessoal, mas por exercer sua atividade profissional e representar judicialmente um cliente.

As investigações continuam sob sigilo. Os suspeitos são investigados por crimes como sequestro, extorsão, tortura, ameaça e organização criminosa, e a responsabilidade individual de cada investigado ainda será definida pela Justiça.

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