Cuba marca nesta quinta-feira (13 de agosto de 2026) os 100 anos do nascimento de Fidel Castro, líder da Revolução Cubana e figura que dominou a política da ilha por décadas. A celebração acontece em um momento particularmente difícil para o país, com grave crise econômica, falta de energia, escassez de alimentos e água e forte tensão com os Estados Unidos.
Quem foi Fidel Castro?
Fidel Alejandro Castro Ruz nasceu em 13 de agosto de 1926, em Birán, no leste de Cuba.
Ele liderou a Revolução Cubana, que derrubou o ditador Fulgencio Batista em 1959, e posteriormente transformou Cuba em um Estado socialista alinhado à União Soviética.
Fidel permaneceu como principal líder do país por quase meio século. Morreu em 25 de novembro de 2016, aos 90 anos.
Como Cuba está comemorando?
O governo cubano transformou 2026 no ano do centenário de Fidel, promovendo exposições, shows, conferências e eventos acadêmicos.
Em Havana, mais de 1.500 delegados estrangeiros participaram de atividades dedicadas ao legado do líder revolucionário. Também foram organizados eventos em diferentes partes da ilha, incluindo sua cidade natal, Birán.
O presidente Miguel Díaz-Canel apresentou Fidel como uma referência para enfrentar os desafios atuais de Cuba.
⚡ Mas a comemoração acontece em meio a uma crise profunda
O contraste é um dos aspectos mais marcantes do centenário.
Cuba enfrenta uma das piores crises econômicas de sua história recente, com:
- apagões frequentes e prolongados;
- falta de combustível;
- escassez de alimentos;
- problemas no abastecimento de água;
- dificuldades no transporte;
- inflação e perda do poder de compra;
- saída de muitos cubanos do país.
Segundo a Reuters, alguns apagões chegam a ultrapassar 20 horas por dia, afetando atividades como produção de alimentos, transporte e turismo.
E qual é o papel dos Estados Unidos?
A crise também está diretamente ligada à relação extremamente tensa entre Havana e Washington.
O governo de Donald Trump ampliou a pressão econômica sobre Cuba, incluindo medidas relacionadas ao fornecimento de petróleo e sanções.
O governo cubano responsabiliza em grande parte o embargo/bloqueio americano pelas dificuldades econômicas. Já críticos do regime afirmam que os problemas também são consequência de décadas de ineficiência econômica, centralização estatal e má gestão.
Ou seja, existe uma disputa sobre quanto da crise pode ser atribuído às sanções americanas e quanto resulta das próprias políticas econômicas cubanas.
O paradoxo do centenário
A celebração coloca uma pergunta difícil para o governo cubano:
O legado de Fidel ainda representa uma solução para os problemas da ilha ou passou a representar parte das razões pelas quais Cuba enfrenta dificuldades?
O governo insiste na ideia de resistência e soberania nacional. Ao mesmo tempo, Cuba vem adotando 176 reformas de orientação mais voltada ao mercado, incluindo medidas para ampliar investimentos privados e estrangeiros — uma mudança significativa em relação ao modelo econômico defendido durante o período de Fidel.
Fidel ainda é uma figura popular?
A resposta é complexa.
Para seus defensores, Fidel é lembrado pela resistência aos Estados Unidos e por políticas sociais, especialmente em educação e saúde, além do papel de Cuba em movimentos internacionais.
Para seus críticos, ele foi um líder autoritário, responsável pela concentração de poder, repressão da oposição e restrições à liberdade de imprensa e de expressão.
Mesmo dez anos após sua morte, sua imagem continua profundamente ligada à identidade política cubana. Há cubanos que demonstram nostalgia de seu período no poder, enquanto outros associam a atual crise justamente ao sistema construído durante seu governo.
Por que o centenário é importante?
O aniversário de 100 anos de Fidel não é apenas uma comemoração histórica. Ele funciona como um balanço da própria Revolução Cubana.
Cuba celebra o homem que construiu o sistema político que ainda governa a ilha — justamente quando esse sistema enfrenta um de seus momentos mais difíceis.
O grande dilema do centenário é esse: Fidel morreu há uma década, mas sua sombra continua presente na política, na economia e na identidade de Cuba. E agora o país precisa decidir até que ponto preservar seu modelo e até que ponto reformá-lo para sobreviver à crise.